junho 22, 2014
maio 02, 2014
abril 25, 2014
a verdade
Aquilo que não se conta.
Aquilo que não se pergunta.
É às vezes quase tudo o que há a dizer de nós...
janeiro 30, 2014
janeiro 16, 2014
Talvez algumas paixões devam ser apenas vividas como tal, como coisas passageiras sem reflexos no futuro.
E talvez aquilo que se ama seja o ideal do que se construiu e não a pessoa em si.
E talvez essas pessoas surjam na nossa vida apenas para nos fazer ter a certeza do que queremos.
Para nos dar a certeza do que não queremos.
Talvez...
janeiro 09, 2014
10 anos
Talvez nos últimos 10 anos não nos tenhamos visto muito.
Foram os últimos 10 anos que mais nos fizeram crescer a todos: a saída da faculdade, o primeiro emprego, as grandes decisões de amor, as grandes falhas emocionais, as desilusões no trabalho onde não se fazem os melhores amigos, a primeira casa de casada, a primeira casa de solteira de novo, as contas por pagar, o primeiro ordenado e os impostos pagos.
Veio ao meu trabalho por coincidência e abriu uma busca desenfreada no facebook até me encontrar.
Fui resgatá-la à receção, como a resgatava nos seminários na faculdade quando comprávamos guerras de ideais com os professores e não tínhamos medo de nada.
O tempo voou como voava quando achavamos que dominavamos o mundo e a verdade.
Despedimo-nos com a promessa de que o tempo não nos pode afastar mais.
Ela foi-se embora e eu fiquei parada e perdida em pensamentos.
"Lembras-te como éramos?".
O tempo mudou-me, arrefeceu-me o sangue na guelra e a postura destemida para ir de frente contra tudo.
O tempo fez com que eu casasse e me separasse, com que quisesse ter uma família e a perdesse.
O tempo deu-me a ilusão que as carreiras se fazem pelo mérito e pela verdade e nunca mais me deixou crescer, tornou-me apática, resignada de ideais.
O tempo fez-me acreditar que cada pessoa constrói um império de sonhos, amor, família, mas o tempo também ensina que quanto mais se sonha, mais alto se quebra.
E o império passou a casa desabitada sem nunca ter tido a alma para ser preenchida.
Em 10 anos percebi que o sonho é a arrogância dos ignorantes.
Perdi quase tudo e tive de novo a arrogância de acreditar.
Mas o mesmo tempo que dá, rouba.
Parada a vê-la sair e a levar parte daquilo que já fui há 10 anos...
10 anos para perceber que deixei de ser livre.
Sonhadora.
Arrogante.
Destemida.
Ignorante.
Não é grave.
Podia ter demorado muito mais...
dezembro 26, 2013
dilemas de natal...
Como é que se divide a emoção entre a família de sangue e aquela que passa a ser nossa porque o coração escolheu alguém de lá?
Porque é que temos de optar entre o amor óbvio dos que são nossos e dos que entram na nossa vida por acréscimo?
Porque é que o amor soma parcelas que não queremos na nossa equação e nos tira outras que sempre foram nossas?
E chega o amor para construir uma família noutra que já existe e que não queremos obrigatoriamente adoptar?
O amor é a coisa mais egoísta e matemática que tenho porque quando se escolhe uma pessoa, vem sempre agregada a ela uma soma que não se separa da equação.
Goste-se, ou não, é matemático.
E o amor não gosta nada de matemáticas.
dezembro 11, 2013
o meu dia
Às vezes custa-nos a acreditar que merecemos ser felizes, como se a seguir tivesse que acontecer algo mau ou negativo.
Talvez porque a felicidade nunca tenha sido facilmente alcançada...
Mas há o dia em que tomamos nós conta do rumo do destino.
E esse é o dia da nossa afirmação mais pessoal.
novembro 15, 2013
O coração é um músculo lixado porque quando nos magoam ele assume o problema como dele, encolhe e fica tão apertado que causa uma dor terrível.
Mirra e fica sem se mexer, como um cubo duro e que ocupa espaço sem nos deixar respirar.
Nestes dias em que o coração toma a dor da alma, eu estico-o e obrigo-o a doer ainda mais.
Puxo-o ao limite e passo aquilo que deveria ser a média de batimentos dele.
E ele segue-me.
E dói menos a seguir porque sabe que ainda aguenta mais.
O meu coração é o meu fiel companheiro, mas sou eu que mando nele.
E por isso ele só dói quando eu mando e não quando os outros me fazem mal.
outubro 29, 2013
outubro 24, 2013
Da nossa vida faz parte a aceitação dos outros.
Aceitar o que já vivemos como um carimbo do nosso álbum de vida.
E o que chega de novo como meta de aprendizagem, mesmo que não nos leve a um lugar melhor.
Às vezes somos obrigados a abrir o círculo para que outros entrem, mesmo não querendo.
E a vida passa a ser regida pelo nosso eu integrado no eu dos outros.
Chegar ao centro de encontro de nós próprios é talvez um processo que demore toda uma vida.
Talvez não chegue esta vida para aceitar tudo...
E este processo que me soa a invasão, causa-me mais dor que conforto.
outubro 23, 2013
outubro 18, 2013
Nas manhãs que ainda gelavam o nariz quando áamos à janela, já ela andava no campo desde madrugada.
A cozinha era aquecida pelo fogão a lenha, já tão negro de ter aquecido tantas mãos e tachos.
Sentava-me sempre numa mesa pequena com toalha de plástico ressequido e pegajoso e ficava a olhar à volta o verde ainda encolhido pela geada.
Havia uma taça castanha muito velha e já estalada, parada na mesa a marcar o meu lugar.
Usava-a sempre para misturar a cevada embebida em açúcar e mergulhar o pão com a margarina mais barata.
Fechava os olhos e aquele pequeno-almoço sabia-me pela vida, o melhor do mundo num só paladar, num só trago.
Lambia a boca toda à volta para apanhar o resto de cevada caida quase até às bochechas.
Vestia-me à pressa, sem banho tomado, e calçava as galochas.
E lá ia eu até ao cimo das escadas de mármore e gritava bem alto:
"Avoooooó Né?".
Ela gritava-me de volta no seu habitual cumprimento matinal.
"UUUUhhhhhhhhhhhhhh".
E eu seguia-a até ao rasto da sua voz e com o coração já tão cheio.
Hoje ao beber um café aguado no meio do meu trabalho e ao olhar pela janela para o céu frio e cinzento, procurei-a.
Não sei se anda lá por fora a cuidar dos animais e das plantas ou se agora anda mais perto de mim, mas senti saudades dela.
A minha avó era feita de aço, sem fraquezas, sem grandes afetos, nem choros, lutava ao frio e à chuva e à esturra do sol, por ela e pela família, era uma sobrevivente, sem ganâncias ou deslumbramentos pelo material, nem pelos outros.
A avó que hoje me falta, ensinou-me que só deixamos de batalhar no dia em que o coração decidir parar de repente...como o dela.
Mas há qualquer coisa aqui dentro que quando bate com mais garra é dela que vem.
É ela.
outubro 15, 2013
outubro 11, 2013
Chegou num fim de tarde de novembro.
Passou devagar pela rua acima enquanto o vento lhe abraçava o peito e abria o casaco pesado de fazenda.
As folhas de outono desviaram-se aos seus pés cada vez que pisou o chão, como se fosse dono de tudo.
Entrou e esboçou um sorriso vivo.
A pele fria e pálida fazia sobressair o negro do olhar escondido entre pestanas curtas.
Tirou as luvas de pele e pediu um chá quente.
O tempo não permitiu que se conhecessem o suficiente, ficou escondido entre tragos de sabor engolido à pressa.
Estendeu um convite e disse que o encontrariam mais logo naquela morada.
Ao levantar-se sorriu e saiu dizendo apenas sobre si que gostava do paladar dos coentros.
Chegou num fim de tarde. Livre.
E ficou.
saltos no tempo
Gostava de ter a pretensão de poder sonhar só com o meu mundo, à minha medida.
Os meus projetos, no meu tempo, na minha vontade.
No meu espaço privado entraria só quem eu quisesse, sem compromissos demasiado articulados.
Gostava de pensar em ter os meus filhos e que essa a vontade fosse partilhada numa esfera em que eu fosse a única dona, sem terceiros no somatório da minha família.
Planeei para mim tudo o que ouvi nos contos enquanto adormecia.
Planeei demais.
Gostava de amar alguém sem passado, nem bagagem, alguém que completasse comigo um caminho que é o primeiro para mim.
À minha volta nascem e batizam-se os bebés das amigas, fala-se do próximo e fazem-se contas à vida para o encaixar.
E eu faço contas à idade e salto fases da minha vida, como se tivesse hipotecada a viver num fim de prazo, no fim do que ainda nem comecei...
E carrego eu o peso da decisão que foi minha e pergunto-me porquê...
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