Setembro 15, 2014


Hoje numa aula de rpm um dos professores perguntou-me se o que me movia era a raiva.
É sim. Respondi-lhe.
Nota-se no teu treino. Disse-me.
Há quem diga que a raiva é sinal que estamos agarrados à vida a tentar lutar, sobreviver.
Que seja assim, porque talvez ainda não esteja tudo perdido.


Entrei num túnel negro.
Não vejo o fim.
Hoje cada vez mais sinto que sou um velho resignado e coberto de escuro, onde a única coisa que tem são os livros, jornais, para continuar a acompanhar o mundo.
Continuar a imaginar o mundo lá de fora, porque no túnel onde estou não vejo mais nada.

Setembro 13, 2014

How to make a fighter...



A dor?
Disciplina-se.
Treina-se.
E treina-se.



Gostei das pessoas erradas.
Quis ser uma mulher normal, tratada com amor por homens normais.
Mas fui enganada.
Ou eram casados e diziam que estavam divorciados.
Ou nunca chegaram a casar mas viviam com as mulheres oficiais numa casa e encontravam-se comigo às escondidas noutra cidade.
Fui enganada porque não cresci o suficiente e esqueci-me que os homens de caracter ou são padres ou já são velhinhos e só podiam ser nossos avós.
Nunca percebi a real essência destes homens, porque no meu leque de condutas, estes comportamentos nem cabiam na minha cabeça.
Ou se ama e se está.
Ou não se ama e então engana-se e mente-se.
Eu fui a segunda opção nos últimos anos da minha vida, dentro da vida dos outros.
Às vezes sinto pena de mim, como hoje, porque não merecia. Porque não percebi a tempo.
Mas depois acalmo-me e não desejando nada de mal, sei que um dia vão colher tudo aquilo que me fizeram.
A vida tem uma coisa que é a lei do retorno.
E podemos até fugir dela, mas ela apanha-nos sempre...
 nem que seja no último sopro que temos de vida.

Setembro 10, 2014

Primeiro a pele fica em ferida.
Não cicatriza com cremes, nem com medicamentos.
Depois é a voz que se perde.
Porque não se consegue comunicar nada e as cordas vocais bloqueiam.
A minha pele está em ferida porque é assim que me encontro por dentro.
E não falo porque não tenho nada a dizer a ninguém.
Os meus últimos tempos de vida fizeram-me perceber quais são os agressores para a minha pele e para a minha garganta.
E só quando eliminar de vez todos os agentes agressores do meu corpo, é que voltarei a ser o que já fui antes.

Setembro 05, 2014


Dizem que há uma equação para a felicidade.
Se cumprirmos os parâmetros todos, alcançamos a fórmula certa.
Dizem que se seguirmos o coração, obtemos ganhos e isso traduz o grau de felicidade.
Parece que a matemática e a química andam a par e passo no sucesso da felicidade, como uma dupla imbatível.
Sempre fui uma nódoa a matemática porque nunca nada era lógico no meu cérebro.
Mas a química é uma coisa inegável. Controla-se apenas como uma disciplina qualquer que estudamos e preparamos para um teste.
Não sei fazer equações.
Mas sei que quero resolver um problema.
Dizem que há uma equação para ser feliz.
Eu tenho de encontrar a minha.

Agosto 30, 2014



"Dor é uma sensação desagradável, que varia desde desconforto leve a excruciante, associada a um processo destrutivo atual ou potencial dos tecidos que se expressa através de uma reação orgânica e/ou emocional".

Agosto 29, 2014



Esta é a primeira.
É a vez.
Que falo aqui de ti.
E a última também.

Agosto 20, 2014




Há um silêncio que se instala à noite por vezes...
Que me aperta as cordas vocais e contém um choro descompensado que dizem já não ser típico das pessoas adultas como eu sou.
Parece que já sou adulta, a mãe relembrou-me disso numa conversa rápida à tarde numa rua movimentada de Lisboa.
Caiu-me a ficha dos neurónios há uns dias, quando ouvi que acabou o meu tempo de esperar o colo de um pai.
O pai nunca virá. Não conseguiu chegar a tempo. E o nosso tempo já se esgotou.
Já não sou pequenina. Não sou? Mas eu achava que sim...
Chegou a hora de ser eu a cuidadora. De possíveis crianças. Talvez até de crianças que nunca serão as minhas. Chegou a hora de ser a cuidadora dos mais velhinhos que um dia foram os meus cuidadores.
Que palerma que sou. Quase a fazer 35 anos e achava que ia a tempo de encontrar alguém que me protegesse, que não me partilhasse, que não me preterisse a mais amor algum.
Mas é verdade, acabou o meu tempo e não vem mais o príncipe encantado.
Sou a pessoa do segundo plano porque cresci assim. Acabou o tempo de ter tempo de ser o centro do universo para alguém. Acabou um tempo que nunca tive como meu...
Que pena...
Ninguém quer ser cuidador. Não de adultos.
Entendo.
E quem se aproxima não me quer cuidar.


As horas da noite correm lentas e doridas porque há descobertas que já vêm tarde demais na minha consciência.
Talvez esteja a colher as desilusões das coisas que eu própria semeei.
Sou esta pessoa cheia de imperfeições que não sabe escutar a própria consciência à noite.
Sou esta pessoa que não sabe ser feliz com o que oferecem como possível de dar.
Sou esta pessoa que descobriu que se calhar não ama homem algum.
Porque no fim de contas repetem apenas o padrão da ausência e do descuido.
São o espelho do pai que nunca optou por mim.


E agora?
O que faço eu com a noite que me confronta com a verdade e a solidão?





Agosto 18, 2014



É das primeiras pessoas que se vê quando entramos.

Tem um olhar com vida, de quem terá histórias para contar até ao resto da vida.

O espaço que se lançou por ser o lugar  dos paladares mais notívagos e das mulheres da noite, hoje tem o peso de muitos anos de família e tradição.

Ir ao Fialho é como dar a experiência de uma vida ao bom gosto e à boa cozinha que por cá se faz.

Durante uns anos via-o só como o anfitrião de uma casa, dizíamos só olá e adeus.

Mas desta vez tive  prazer de o ter à mesa.

O que me emocionou não foram os mais de 80 anos tão bem vividos, ou os amigos que tem e que saem em revistas e o colocam lá a ele também, com o excelente mérito que tem.

O que mais me tocou foi perceber que alguém que quer pôr alma num projeto como um restaurante, tem de fazer ali a sua casa, a sua família, o seu palco e a sua solidão.

Alguém que quer dar a alma a um projeto, como o sr. Amor fez pelo Fialho, tem de se comprometer a uma só relação, o seu projeto.

Não há espaço para mais.

Saber escolher é um gesto de grande dignidade e coragem que nem todos sabem fazer.

E depois da escolha, há que saber aceitar que possivelmente se optou pela solidão, mesmo quando há uma multidão que os aclama.

i'm not giving in.






As minhas melhores aulas de rpm são aquelas que duram mais tempo, as que me espremem até ao tutano.


São as que me movem pela raiva que tenho cá dentro.


São aquelas em que o suor me turva os olhos e a alma cai até aos pedais.


São as que me doem nas pernas e no coração e as que luto até ao fim, enquanto ouço esta música.


As minhas melhores aulas de ginástica são as minhas melhores sessões de terapia em que a única coisa que tem de ficar é a força interior.


As melhores aulas são as da vida, aquelas em que tudo nos foi dado para poder falhar e nós decidimos vencer.


São aquelas em que por mais que se apanhe, o chão não chega para cairmos.


Hoje na minha aula de rpm sofri tanto que acabei num grito de dor.


Ou de libertação.


É que meti na cabeça que quero ser uma vencedora e não vou desistir.


Venham lá tentar convencer-me do contrário!

Agosto 17, 2014


Estou quase a chegar a um final qualquer.
Só me falta um passinho tão pequenino.
Um passinho que está quase a ser dado.

Agosto 13, 2014




Nos dias em que a raiva quase me deita ao chão.
Nos dias em que acho que a razão me foge e penso que queria vingar-me de quem me faz mal.
Nos dias em que me custa levantar da cama e sentir dignidade nos meus gestos.
Nos dias em que tenho pena que me façam mal quando a única coisa que me limitei a fazer foi amar alguém.
Nesses dias quem comanda é a minha cabeça.
Há um combate cá dentro que me torna cega, perigosa.
Nos dias em que dói o coração e a alma parece que caiu aos pés...
Nesses dias vou sempre buscar a força mais profunda que move os poucos que são guerreiros e que não têm medo de nada.
E doa o coração, os joelhos, ou os pulsos. Doa aquilo que me doer, não chega à cabeça.
E a alma vai erguer-se até ao topo porque ninguém mais nos toca.
Eu casei-me comigo há uns poucos anos e fiz a promessa que na dor e na raiva, estaremos unidas até ao fim.
Nem que fique em sangue.
Mas raios me partam se quem manda não sou eu!

Agosto 11, 2014

adeus.


O último beijo nunca é dado com a consciência que foi o último.
Acontece e só depois sabemos que acabou.
Às vezes passam dias, meses de ilusão e espera.
O beijo final é como uma picada incisiva da serpente, acontece quando não se espera.
O último beijo é quando já não se sente saudades para repetir.
É dado quando a alma já se cansou de dar oportunidades. De esperar.
O último beijo não sente amor.
O beijo do fim é quando já não se anunciou.
O beijo final é o que se imagina, já para não se perder mais tempo a dar.





Sempre me agarrei à ideia que devia lutar com todas as minhas forças pelo tempo certo.

O tempo que estaria guardado para mim com a promessa de um caminho feliz e que me estaria guardado por direito e mérito.

Mas o tempo certo não é o que está para vir, mas o que existe.

Aquele que é o presente.

E se no presente o caminho feliz que buscamos não existe, então é porque também não era o certo.

E por mais que custe, não há mais caminho pelo qual esperar.

Foi caminho que se esgotou.

Agosto 10, 2014



Corremos o sul enquanto o sol estava no pico máximo.
Dormíamos nas horas trocadas do dia e fazíamos das noites a nossa confidente.
Adormecemos tantas vezes no sofá, quantas ouvimos a Feist perdida pelas paredes que nunca deixaram de ser brancas.
Os melhores jantares faziam-se sempre a dois. Com os pés descalços e em misturas de vinhos que estavam abertos de jantares passados.
Não devíamos nada a ninguém e por isso o tempo começava e acabava na nossa vontade de fazermos companhia enquanto o verão durasse.
Às vezes vestia as t-shirts largas e calçava uns ténis Gazelle que nunca mais quis pôr.
Nunca me apaixonei apesar das tantas noites e dias em que fizemos companhia.
Mas era bom assim.
Sem compromissos.
Nem afectos.
Apenas o impulso de ser bom não ser de ninguém.
No cansaço dos jantares perdidos, adormeci num sofá gelado de pele e deixava que me ficasse a pentear o cabelo e dizia sempre com tristeza enquanto me olhava:
"Joana, Joana, um dia vais ter de crescer".
Dos tempos em que não amei nada nem ninguém.
Dos tempos em que vivi sem me preocupar com o ontem ou o amanhã.
Desses tempos e de mim...
Em que ninguém me tocava o coração, nem arrepiava a pele.
Tenho agora saudade.


Como é que se explica a um homem que estar sozinha não é sinal de estar disponível?

Agosto 09, 2014


Homens acima dos 35 anos.
Sem filhos.
Sem relações por acabar.
Que se apaixonem sem traumas do passado.
Que movam o mundo só para não nos perder.
Que não sejam gays disfarçados.
Há?
Não há, pois não?
E agora?


Ao meu lado está um casal.
Nada de especial até aqui.
Até que ela fala a tarde inteira de amamentação e infantários.
E diz que quer aprender a bordar e se ele lhe paga um workshop que está na moda e aparece no facebook.
Ele vai respondendo monocordicamente enquanto olha para mim de forma distraida...
São casados e devem ter a minha idade.
Percebo que ela não trabalha e vive à conta dele.
Volta a falar de bebés e das maminhas que se quebram após a amamentação.
Eu estou ao lado a tentar ler o jornal e apanhar sol sem que ninguém repare muito em mim.
Mas ele repara. A tarde toda. E eu sinto-me mal, como se estar sozinha fosse sinal de ser disponível.
 Ele é um idiota como quase todos os homens que conheço.
Ficam com mulheres sem grande inteligência, com quem casam e têm filhos e cujos caprichos pouco ambiciosos sustentam. Enquanto olham para o lado para as mulheres que estão sozinhas.
Ambos tinham a minha idade.
Ela era "poucochinho" mas tinha um filho e estava casada.
Não queria muito da vida e não sabia o que eram mirtilos, "aquelas frutinhas escuras que comeu em casa da sogra".
E ele se calhar prefere ter uma mulher assim, porque controla tudo melhor.
E eu que me considero uma mulher inteligente e com metas e sede de mundo, estou sozinha e sirvo apenas para os fetiches de uns palermas que fingem ser uma coisa que não são.
Talvez se eu fosse um bocadinho menos... talvez se quisesse ser sustentada por um homem e se engravidasse sem querer. Talvez se eu quisesse bordar...
Talvez se tivesse menos metas...
Talvez não ficasse mais sozinha com os homens casados a olhar para mim.
Talvez se eu fosse menos, talvez tivesse mais.
Que merda...




Julho 28, 2014


Todos os dias agradeço a Deus aquilo que me tem acontecido.
Porque acho que ele me está a levar ao caminho certo.
Onde não há pressa nem vontade de apanhar qualquer comboio.
Onde o tempo parou.
E já não procuro mais nada nos outros.
Apenas comigo própria.