janeiro 25, 2015

janeiro 10, 2015


Criei este blogue como forma de terapia e ao longo de anos ele ajudou-me a expiar as minhas mágoas, a comunicar as alegrias.
Este era o meu lugar e por isso o dei pouco a conhecer porque era o meu canto que só deixaria alguém entrar se me respeitassem tal e qual sou.
Infelizmente deixei de me poder expressar livremente sem ter consequências disso.
A expressão tem sempre danos profundos e nem aqui mais eu sou livre.
Por isso deixarei de escrever.
E como já falo pouco, talvez um dia as asas quebrem de vez.
Porque de tantos vôos hoje sei que sou um pássaro em queda com a asa ferida.
Mas um dia voltarei a escrever.
E a ser livre de novo.


Às vezes ao fim do dia reúno-me com o mesmo grupo de amigas.
Fazemos um balanço de vida.
Bebemos e o tempo acaba por quebrar a tensão diária de quem não tem ninguém à espera.
Quebra a tensão de quem nada espera.
Chego a casa e ela continua gelada e silenciosa.
Ligo a televisão para ouvir as últimas notícias.
O mundo é-me estranho...
Olho para o armário onde escrevi as minhas metas de vida e não cumpri nenhuma.
Apenas a carreira deu certo.
Tomo calmantes para dormir mas acordo sempre na mesma a meio da noite.
Há uma angústia intrínseca de quem sabe que se perdeu no caminho.
Acordo sozinha.
Adormeço sozinha.
Todas as noites.
Todos os dias.
Enganei-me quando acreditei que o amor me salvaria da angústia da solidão.
Porque o amor expira sempre, como o iogurte que não chegámos a abrir e que se esqueceu no frigorífico.
Cansei-me de estar sozinha comigo.
E fui eu que escolhi ser assim.
Como fui eu que escolhi fugir de alguns caminhos.
O ano que já passou traz-me mais dor que boas lembranças e sei que não vou repetir um ano de novo tão negro.
Alguma coisa me mudou.
Perdi o encanto da surpresa porque ela nunca chegou.
Suspiro sozinha como se procurasse no eco desse suspiro a resposta do que não vem.
Não vem nada, foi quase tudo um engano que me aconteceu.
Mas como com a minha idade? Como?
O telefone toca.
" Casa-te comigo e resolves todos os teus problemas".
Fico enraivecida.
O amor tornou-se num negócio.
O amor é um trato entre pessoas pragmáticas que pensam só com a cabeça.
Já ninguém surge de surpresa.
Já ninguém aparece sem avisar.
Ninguém arrisca nada em nome do coração.
O amor não move ninguém.
Porque isso não traz prestígio.
Nem alimenta o ego.
E põe a nú a verdade e quase ninguém sabe viver às claras com a verdade.
Porque a verdade passou a viver-se escondida.


janeiro 09, 2015



Quando os sentidos se baralham todos...

Deixei de ter pena de estar sozinha.
Tenho tudo para viver.
E o tempo não me chega para tanto.


O passado acabou e eu nem percebi como nem quando.
Esgotou-se e não vi ir embora.
Acabou.

janeiro 05, 2015


Como uma casa desarrumada.
Ando em limpezas e a mudar os lugares de algumas coisas.
E a deitar fora outras que já não fazem parte de mim.
O meu blogue está em reciclagem.
Porque eu também.

dezembro 30, 2014



No dia em que desisti de lutar por ele, chamou-me porque me queria pedir em casamento e planear a nossa família,
No dia em que o fez, eu já não queria nada do que lhe tinha mendigado durante anos.
Nesse dia não senti vontade de chorar pela frustração, nem raiva, ou pena.
Fiquei com pena apenas por saber que aquele dia chegaria e que eu já não o ia querer.
O tempo passou e apaguei-o da memória como uma demente que nem sabe bem que nome tinha.
Voltei a apaixonar-me, mas com uma devoção sem dimensão, sem comparação até então.
E voltei a sentir coisas tão boas que quis ter a nossa família, escolher a nossa casa e ter os meus próprios filhos.
Mas o tempo nunca mais chegava e era desprezado como se fosse sempre tudo cedo demais.
E eu fui perdendo o encanto.
Sempre tão devagar que os avisos nunca chegaram para alertar de verdade as minhas mágoas então já repetidas.
Na verdade nunca mais fui pedida em casamento, nem tão pouco voltei a ouvir "eu quero ter um filho contigo".
Na verdade nunca mais ninguém me amou e o assumiu publicamente.
Talvez seja mais sensato assim para todos.
Na verdade não  espero mais ouvir declarações de amor, ou a chegada inesperada de alguém.
Houve um tempo em que acreditei muito no amor e que ele nos movia para sermos melhores, mas hoje acho que pensar assim é sinal de quem não vê bem o mundo.
E o mundo real não é movido pelo amor.
O tempo mostrou-me que de tanto que esperei pelos outros, acabei por me perder e desencontrar de mim mesma.
Fiquei cansada. Demasiada cansada em esperar pelos outros que me resgatassem.
Isolei-me e gelei.
Perdi tudo porque arrisquei demais em busca da felicidade.

E agora como é que me recupero? Eu que esqueci o que é gostar de mim mesma?
Eu que já esperei tempo demais à espera do tempo dos outros.


dezembro 29, 2014



Deve ser a última vez que escrevo este ano.
Parto em breve rumo a outro destino
Atrás deixo um ano dramático de profundos momentos de dor e com curtos rasgos de grande alegria.
Perdi tudo e acabei sozinha.
Nunca estive tão sozinha.
Tanto tempo e por dentro.
Se assim fiquei e se aqui cheguei foi porque também escolhi e permiti que fosse assim.
Perdi-me de mim mesma porque deixei de ver metas.
E esperei nos outros a solução de um futuro diferente.
Troquei os pés pelas mãos e atraiçoei a minha própria razão, achando que a emoção era guiada por um qualquer sexto sentido.
Quis jogar alto e perdi tudo.
Um dia acreditei que o mundo me tinha dado o direito a ser feliz.
Mas foi o uma ilusão.
Eu iludi-me a mim própria.
Despeço-me deste ano pedindo que nunca mais me maltrate assim.
Porque eu não aguento mais.
E ou só pode vir aí algo melhor...
ou cheguei ao meu mais profundo fracasso.
E se assim for, então este foi o último fracasso deles todos.

novembro 27, 2014


Os grandes amores começam sempre às escondidas.
Porque surgem de repente quando a vida ainda está por resolver.
São aqueles que não planeamos e nos assaltam num primeiro jantar onde achamos que íamos só falar de trabalho.
São quase sempre amores proibidos e impossíveis.
Marcados à pressa contra todos e debaixo do olhar reprovador das aparências morais.
Os grandes amores deixam uma marca igual à de uma cicatriz. que dói nos dias de frio e de mudança,
Chegam e achamos que é para sempre porque nos fazem doer as entranhas e nos tiram o sono e o apetite.
Eu conheci um grande amor a quem dei tudo o que tinha de melhor.
E criei as maiores expetativas porque o meu amor também era maior.
Escolhemos uma casa e fizemos planos para ser uma família.
Mas o meu grande amor não sentia o mesmo por mim e deixou que o capricho de terceiros decidisse o nosso rumo.
Os grandes amores começam às escondidas porque se calhar não deviam acontecer.
Têm o destino traçado para falhar porque não lhes chega a vontade para vencer.
Porque são de uma família só e não deixam mais ninguém tomar esse lugar.
Os grandes amores têm todos passado e filhos e vida.
Eu escolhi sempre mal os meus amores, porque eles nunca me escolheram a mim,
E eu quero chegar em primeiro lugar.
Eu quero ser encontrada sem ser às escondidas como o grande amor de alguém.


novembro 14, 2014

Não tenho idade para ter anjos da guarda nem amigos protectores.
Tenho toda a idade que legitima a minha vontade de querer ter um namorado, alguém real ao meu lado.
O tempo de espera acabou.
E as ilusões e as expetactivas ficam para os contos de fadas dos outros,
A minha vida é bem real.
E está toda aqui ao lado.
Basta abrir a porta.
E ela entrará toda por inteiro.
Basta eu querer.
E eu quero.
Cansei-me de esperar pelo que nunca chegou.

Chove demasiado e o tempo abana as estruturas.
Comecei a manhã nas escadas do prédio ao telefone a chorar que nem uma criança a pensar que não sou feliz e que tenho de mudar algo.
Fugi da minha equipa inteira porque não lhes posso mostrar que sou humana e frágil.
Mas sou e acordei com a ideia clara que não sou feliz.
Não sou feliz há tempo demais e já chega.
O dia corre devagar como a minha cabeça e o meu humor.
Engulo o mau humor e as lágrimas à medida que o tempo passa.
Passo o dia a comportar-me como uma máquina sem sentimentos e sem alma. 
A tarde cai e a chuva não pára.
Fechamos todos os computadores e marcamos encontro num bar perto.
Vamos chegando à medida que encerramos mails urgentes.
Pedem-se todos os tipos de Gin e vamos-nos sentando.
O bar enche connosco.
Ficamos uma hora.
E outra.
Passam horas e o dono do bar acaba sentado connosco.
Os copos seguem-se  uns atrás dos outros e começo a rir.
De repente começo a achar graça à minha vida, à vida dos outros.
Sinto que preciso de beber para me rir.
As mesas cruzam-se e cruzam-se contactos.
Somos tantos e tantos sozinhos.
Perco a noção do tempo.
E já nada me preocupa,
Não devo nada a ninguém.
Ninguém mais me espera.
Estou por minha conta...
Volto ao carro já a noite começou e vou a rir sozinha à chuva sem medo do vazio.
Comecei a manhã a chorar.
E hoje ao fim do dia percebi que sou feliz só comigo e  que estou completamente disponível para recomeçar tudo.
Ou viver tudo do zero.
Ou recomeçar o que ficou a meio.
Estou por minha conta e sei que me hei-de apaixonar por mim.
Pela vida que me espera,
Mas sei que me espera algo porque há vida demais em mim para que se acabe tudo já assim tão depressa.

novembro 12, 2014


Hoje enviou uma mensagem inesperada.
"Ligue, estou com os avós".
Prometi que então ligava mal pudesse.
Atendeu prontamente e do lado de lá ouvi "é a mãe?".
Respondeu só que era a Joana como se isso servisse para justificar tudo.
Falei com ele e com a avó.
Matei saudades e fiquei mais em paz comigo por saber que sentem a minha falta.
Dizem que os sogros são para sempre.
E os enteados também.
Não casei, mas em tempos tive um enteado Miguel na minha vida que podia ser meu filho.
Não foi,
Mas gosta de mim.
Só porque sim.
E eu sinto a falta que alguém goste de mim assim...

novembro 09, 2014



A minha avó está doente.
Já não sabe bem tudo da vida e vive num mundo que é só dela.
Tem um olhar ausente de quem já não é de cá.
A minha avó ouve quando falamos dela e finge que não sabe que ela é a protagonista.
Às vezes à noite quer vir para minha casa porque diz que a mãe dela está cá comigo.
O avô não a deixa vir porque ele acha que ela está demente.
Eu acho que ela não está demente em tudo.
Diz coisa certas e faz coisas certas.
Vê o que os meus olhos não alcançam.
A minha avó está de partida e eu sinto isso.
Ainda olha para mim com ar de pena porque acha que merecia encontrar um marido como ela tem o dela.
E eu em dias como hoje gostava de lhe pedir desculpa por ter falhado tanto e ter tido tanto azar.
Mas a avó nunca entenderia que os tempos mudaram e hoje trabalhamos tanto quanto os homens e chegamos a casa e ainda temos que ser donas de casa. E que hoje já não aguentamos ser mal amadas, preferimos a solidão.
Às vezes acho que a avó está à espera que eu me apaixone por alguém que também me ame, para ela poder partir.
Mas como é que vou dizer à avó que se calhar ela já não vai assistir a esse momento.
A minha avó está de partida e eu não vou ter tempo de lhe mostrar que não falhei em tudo na vida.

novembro 05, 2014


Não tem mal.
O passado já foi lá atrás.
Já partiu.
Não o viste a ir?
Não tem mal.
Já foi.
Não é mais nosso.
Acabou sem sabermos porquê...
Não tem mal.
A vida é mesmo assim...

Juntamo-nos no fim do trabalho às escondidas num bar perdido no centro da cidade.
Os bancos são corridos e de madeira.
Encostamo-nos umas às outras embrulhamo-nos em mantas polares enquanto o frio se vai entranhando na pele,
A cidade ficou esquecida lá fora.
Pedimos gin tónico como se bebêssemos água e soltamos conversas num desespero de quem não tem tempo e algo fica sempre esquecido ou por dizer.
Umas têm os maridos a dar banho aos filhos enquanto não chegam para jantar e outras não têm ninguém à espera.
Bebemos e rimos e fazemos brindes.
O mundo parou-nos nas mãos.
Sinto-me chegada a um lugar qualquer em paz.
Nada me espera.
Não há ninguém.
Não vai haver tão depressa a não ser que o mundo me surpreenda.
Mas eu estou em paz assim.
Posso ficar ali a noite toda ou sair para me encontrar num jantar a dois. A mil.
Posso tudo nesta fase da vida.
E apesar de não ter nada, pela primeira vez sinto que vivo bem no meu lugar, sozinha no mundo. Mas tão perto de mim.
Estou sozinha porque fiz escolhas e fechei portas e vivo com isso. Mas estou bem como sou.
Rimos e fazemos brindes.
Ensinam-me técnicas para um jantar brilhante no dia em que queira impressionar alguém.
Registo tudo a sorrir, sem a aflição de não ter mais do que aquilo que sou.
Somos várias mulheres.
Temos vidas muito diferentes e complicadas.
Mas hoje sou feliz por ser só eu.
Dona do meu destino e da minha história de vida. Da minha vontade.
Não há nada à minha espera a não ser o silêncio da casa e o que vem de mim.
Um dia talvez passe e voltem a resgatar-me a gargalhada e o sorriso e a alma.
Mas hoje sei que não sou parte de ninguém, ninguém se orgulha de mim ou me exibe como mulher. e eu já não preciso mais disso. Acabou-se o tempo.
Ninguém me recorda à distância ou me ama em silêncio.
Hoje sou apenas eu por mim.
Na minha conta de que me basto.
Porque a vida já me ensinou que não preciso de ninguém para ser feliz.
Para me encontrar com 6 amigas num bar...
E beber gin tónico e brindar à vida.
A minha vida que seguiu só comigo.
Sem poder contar contar com homem algum.
E não é que eu sou feliz assim?
Talvez seja sinal que algo está então prestes a começar entre mim mesma.


outubro 31, 2014


Encontramo-nos todos em casa de uma das amigas para jantar.
Uma delas precisava de colo e esta desesperada.
Abrimos tantas garrafas quanto o número de amigos que temos à mesa.
Fazemos um balanço da vida e percebemos que estamos quase todos sozinhos porque quisemos apostar tudo. E alguns de nós perdemos tudo também.
Passam as horas por nós e falamos dos namorados e do que vivemos.
Falamos das asneiras que fizemos juntos e dos segredos que partilhámos.
Falamos de clínicas para termos filhos de pais desconhecidos e de mais uns amigos estranhos que se juntam ao jantar e por quem talvez nos pudessemos apaixonar se não estivessemos todos magoados.
Ensaiamos passes de boxe e sabemos todos que estamos a passar por processos de dor diferentes.
Rapazes e raparigas. Quase todos em processo de separação.
Uns já estão prontos para seguir em frente. Outros não.
Falam todos ao mesmo tempo e olho para os meus amigos e penso que estamos todos no mesmo barco. Ou a afundar, ou a recomeçar a vida toda.
Temos todos mais de 35 e só uma tem filhos.
Estamos sem nada.
Dispostos a jogar tudo e sofremos porque fazemos todos desporto a mais para deixar de sentir a dor que a alma transporta.
Bebemos porque isso permite-nos ser mais efusivos e depois mais calmos e melancólicos .
Abraço-os a todos e um deles diz-me aquilo que acho da vida, sobre mim, sobre todos;
"Karma is a bitch".
E ele tem razão, o meu tempo de ser amada acabou.


outubro 30, 2014


Os gatos já sairam das ruas.
Os loucos voltaram para o hospital.
As pessoas regressaram todas a casa para as suas famílias.
E os carros pararam de buzinar.
A noite caiu e a verdade voltou.
Desaparecem todos quando queremos mexer na verdade.
E isso também deve ser sinal de alguma coisa.

outubro 13, 2014


Uma amiga minha de há anos casou.
Ao chegar a hora do almoço e porque era uma das madrinhas, dei por mim rodeada por gente que nunca tinha visto, numa mesa cheia de casais, quase todos se conheciam.
E eu. Apenas eu.
Ao meu lado sentou-se uma criança e fingi que não a vi.
Quis imenso fugir dali naquele momento, não tinha um par, ninguém ao meu lado, nem com quem falar.
Estava numa festa de homenagem ao amor e o amor tem-me traído quase todos os dias.
Amarga, triste e infantil continuei a fingir que não a via.
Foi-me sorrindo e disse algumas palavras.
Deixou cair o guardanapo e fez-me apanhá-lo.
Agradeceu com um grande sorriso e fez uma pose como se lhe tirasse uma fotografia com o meu olhar.
Forcei a conversa a pensar que não quero que a crianças gostem de mim.
"Quantos anos tens?".
Esticou 4 dedos e olhou para eles como se tudo o que fizesse fosse mágico.
E voltou a sorrir-me.
Não falámos muito mas acabei a dar-lhe o jantar.
E a correr de mão dada com ela quando me disse: "olha, quero ir embora daqui".
A Beatriz conquistou-me, apenas com 4 anos, mesmo depois de eu ter feito tudo para não a ver.
Porque é assim que ando na vida, não vejo ninguém e estou cheia de mágoas.
Nem a Beatriz, nem pessoa nenhuma me pode resgatar se eu não deixar.
E eu até quero ser resgatada, mas está tão difícil de acreditar em alguma coisa...
Mas há qualquer coisa que me enche o peito de ar quando encontro estas pessoas pequeninas na vida e sei que quero tanto ser encontrada...
Por um grande amor.
Por um filho.
Por mim própria...

outubro 05, 2014



Chego a casa e não estás.
A televisão é que me faz companhia enquanto a noite entra por entre as janelas.
Leio as revistas do mundo e não tenho com quem as partilhar, porque não há cá ninguém.
O tempo corre, às vezes depressa demais, outras parado e faz doer tudo.
As estações do ano estão a passar todas por nós e não te vejo.
Deixei de saber de ti e do teu lado angustiado e negro com a vida.
Deixei de ter onde deitar o colo quando o pensamento me assombra.
Já não gosto de chegar a esta casa que sempre foi a minha porque ela relembra-te com um eco de alguém morto mas que fica em alma.
A minha casa já não me abriga. Causa-me medo porque tem sombras do passado.
Não durmo mais de janelas abertas porque ganhei medo da vida. E do escuro.
Não me suporto no meu silêncio lento e arrastado de quem não vê fim à vista, ou terra, ou porto de abrigo.
Há apenas um túnel negro que teima em não me dar a luz da solução final.
Não aparece ninguém.
Não vem ninguém.
Fico só eu. Tão só.
E o medo gela-me...
Ao adormecer ouvia sempre "estou aqui, eu estou aqui" e eu adormecia embalada na segurança de que era verdade.
Na segurança de quem sente que não é abandonada.
Mas um dia acordei, depois de uma imensa dor e vi que estava sozinha.
Que tinha estado sempre assim.
E que não vinha ninguém atrás...
Mais ninguém....
Talvez nunca mais...