junho 30, 2015

Um lutador combate sempre de pé.
Com os punhos partidos e o coração em ferida.
Mas fica sempre de pé.
Um lutador quebra só quando não tem espectadores.
O prazer de ser lutador é a crença em algo inabalável.
Mesmo que doa.
Mesmo que quase mate.
Um lutador nunca vira as costas a um combate.
Mas prepara-se antes para ele.
Depois fica no ringue até que um dos dois morra.
Eu estou num ringue de joelhos.
Só à espera que me acertem com aquele que acham que será o último golpe.
Nessa altura combato.
E prefiro morrer de pé a deixar de lutar.
Sempre de pé, até que decida quando quero acabar.

junho 14, 2015



Todos nos apaixonamos assim nem que seja uma vez na vida.
É um ciclo que começa e acaba.
Uma valsa suave que nos embala os pensamentos e permite chegar sempre ao lugar mais bonito do que somos.
Emociona-nos quando nos toca a pele e é o seu sopro quente que nos deixará sempre saudade.
É tão inevitável amá-lo como o deixar partir.
Ele voltará sempre, como terá sempre de voltar a partir por mais que se queira prender para sempre.
Tudo o que é bom demais não é para sempre...

maio 29, 2015


Parece que se chamam indigo.
E que vêem mais além como se o sexto sentido lhes construísse o caminho.
Não têm medo mesmo sabendo que a queda faz parte da estrada.
Terão sempre qualquer coisa de crianças porque não colocam a vida toda em perspetiva.
Falam com os olhos que tem o coração como maestro.
E são do mundo porque nunca pertencerão a ninguém.
Não serão nunca a maioria e por isso são raros e especiais.
Andam por ai,  vivem a vida como um ultimato que só pode dar certo porque a única regra que respeitam é a da intuição.



A vida é o curto sopro do que fazemos dela...

maio 03, 2015

"Não é preciso morrer para ver Deus"

Deito-me numa pedra quente enquanto sopra o vento quente de fim de tarde no Alentejo. Não se houve nada, nem gente, nem aves, nem buzinas ao longe como na cidade onde vivo. É como se o tempo tivesse tirado férias e tivesse partido sem aviso de regresso. Fixo o sol sem queimar o olhar e tento pensar nas respostas todas que coloco à vida, sabendo que ela é apenas um caminho de lições, lições algumas que não quero mais aprender. Sinto-me livre porque não tenho pressa de partir ou chegar. O telefone não toca e ninguém se vai lembrar de me procurar. A carrinha fica aberta e toca músicas várias sem ninguém as escolher. Uns filmam, outros passam as mensagens do telemóvel como se relessem a agenda do dia. Eu fecho os olhos e não procuro mais nada porque estou demasiado esgotada. Acho que adormeço. Acho que acordo com a mesma calma. Toca esta música que me embala e alivia o peso que ganharam os meus pensamentos. Hoje não precisei de morrer para ver Deus...

abril 13, 2015


O que fica dos passos que já demos?

abril 07, 2015


O que fazemos quando percebemos que alguma coisa vai acabar mal?

abril 05, 2015



Tenho o coração com uma ferida funda.
Acordo e trabalho.
Trabalho e vou dormir.
A meio da noite acordo e trabalho.
Trabalho, trabalho horas, dias a fio sem fim.
Começo o dia sozinha.
Acabo-o mais só.
Não vem ninguém.
Não há ninguém para me salvar.
O coração está em ferida porque não aguenta mais parar e recomeçar.
E parar de novo, congelado na espera do momento que nunca chega.
Acordo. Adormeço.
Vazia. Cheia de trabalho.
Não há mais nada.
Um dia após o outro numa agonia sem perspetiva de acabar.
Abriu-se uma ferida no coração que não sara enquanto for para viver assim.



abril 03, 2015


Sei que me sinto muito sozinha quando volto obstinadamente a fazer desporto para gerir o prazer da dor.

abril 01, 2015

Voltei a fazer desporto.
Como é que é possível eu ter parado?
Seguem-se próximos capítulos. Muito em breve.
À medida que releio e refaço o meu cv penso...
Bolas, eu já fiz isto tudo!

março 16, 2015


Não consigo dormir.
Irrita-me esta coisa de ver mais à frente do que aquilo que já se falou.
Do que aquilo que se sabe.
Já estou um passo à frente e sei o que aí vem.
Já desesperei e chamei a atenção.
Já doeu e já passou.
Não vale a pena mudar o rumo à força se ele não nos pertence.
A noite instala-se e ouço a minha consciência a falar-me e a dizer-me que já sabia o fim antes de o começar.
Não tenho o mesmo encanto pelos outros nem pela vida.
Perdi o ímpeto de voar nas ilusões do que um dia acreditei ser o meu lema de vida.
A família nunca chegou a aparecer e eu fui perdendo os sonhos.
Nunca veio o grande amor, ou o porto seguro, nunca vieram os bebés que planeei, nem a casa a dois. Nunca fomos dois,
O amor tornou-se um perigoso inimigo e amargou-me a alma e toldou-me o olhar e tornou-o cego e descrente.
O sono não espreita enquanto a consciência me vier recordar que esta não é a minha vida para cumprir os sonhos da cabana alimentada pelo amor. Pois se foi o amor que me destruiu...
Este não é o meu tempo e ter um grande amor.
Mas talvez tenha chegado o tempo de aprender a viver só comigo, por minha única conta.

A felicidade é um fragmento das ilusões que alimentamos na vida. Não é mais do que um sopro.

janeiro 25, 2015

janeiro 10, 2015


Criei este blogue como forma de terapia e ao longo de anos ele ajudou-me a expiar as minhas mágoas, a comunicar as alegrias.
Este era o meu lugar e por isso o dei pouco a conhecer porque era o meu canto que só deixaria alguém entrar se me respeitassem tal e qual sou.
Infelizmente deixei de me poder expressar livremente sem ter consequências disso.
A expressão tem sempre danos profundos e nem aqui mais eu sou livre.
Por isso deixarei de escrever.
E como já falo pouco, talvez um dia as asas quebrem de vez.
Porque de tantos vôos hoje sei que sou um pássaro em queda com a asa ferida.
Mas um dia voltarei a escrever.
E a ser livre de novo.


Às vezes ao fim do dia reúno-me com o mesmo grupo de amigas.
Fazemos um balanço de vida.
Bebemos e o tempo acaba por quebrar a tensão diária de quem não tem ninguém à espera.
Quebra a tensão de quem nada espera.
Chego a casa e ela continua gelada e silenciosa.
Ligo a televisão para ouvir as últimas notícias.
O mundo é-me estranho...
Olho para o armário onde escrevi as minhas metas de vida e não cumpri nenhuma.
Apenas a carreira deu certo.
Tomo calmantes para dormir mas acordo sempre na mesma a meio da noite.
Há uma angústia intrínseca de quem sabe que se perdeu no caminho.
Acordo sozinha.
Adormeço sozinha.
Todas as noites.
Todos os dias.
Enganei-me quando acreditei que o amor me salvaria da angústia da solidão.
Porque o amor expira sempre, como o iogurte que não chegámos a abrir e que se esqueceu no frigorífico.
Cansei-me de estar sozinha comigo.
E fui eu que escolhi ser assim.
Como fui eu que escolhi fugir de alguns caminhos.
O ano que já passou traz-me mais dor que boas lembranças e sei que não vou repetir um ano de novo tão negro.
Alguma coisa me mudou.
Perdi o encanto da surpresa porque ela nunca chegou.
Suspiro sozinha como se procurasse no eco desse suspiro a resposta do que não vem.
Não vem nada, foi quase tudo um engano que me aconteceu.
Mas como com a minha idade? Como?
O telefone toca.
" Casa-te comigo e resolves todos os teus problemas".
Fico enraivecida.
O amor tornou-se num negócio.
O amor é um trato entre pessoas pragmáticas que pensam só com a cabeça.
Já ninguém surge de surpresa.
Já ninguém aparece sem avisar.
Ninguém arrisca nada em nome do coração.
O amor não move ninguém.
Porque isso não traz prestígio.
Nem alimenta o ego.
E põe a nú a verdade e quase ninguém sabe viver às claras com a verdade.
Porque a verdade passou a viver-se escondida.


janeiro 09, 2015


Deixei de ter pena de estar sozinha.
Tenho tudo para viver.
E o tempo não me chega para tanto.

dezembro 29, 2014



Deve ser a última vez que escrevo este ano.
Parto em breve rumo a outro destino
Atrás deixo um ano dramático de profundos momentos de dor e com curtos rasgos de grande alegria.
Perdi tudo e acabei sozinha.
Nunca estive tão sozinha.
Tanto tempo e por dentro.
Se assim fiquei e se aqui cheguei foi porque também escolhi e permiti que fosse assim.
Perdi-me de mim mesma porque deixei de ver metas.
E esperei nos outros a solução de um futuro diferente.
Troquei os pés pelas mãos e atraiçoei a minha própria razão, achando que a emoção era guiada por um qualquer sexto sentido.
Quis jogar alto e perdi tudo.
Um dia acreditei que o mundo me tinha dado o direito a ser feliz.
Mas foi o uma ilusão.
Eu iludi-me a mim própria.
Despeço-me deste ano pedindo que nunca mais me maltrate assim.
Porque eu não aguento mais.
E ou só pode vir aí algo melhor...
ou cheguei ao meu mais profundo fracasso.
E se assim for, então este foi o último fracasso deles todos.

novembro 27, 2014


Os grandes amores começam sempre às escondidas.
Porque surgem de repente quando a vida ainda está por resolver.
São aqueles que não planeamos e nos assaltam num primeiro jantar onde achamos que íamos só falar de trabalho.
São quase sempre amores proibidos e impossíveis.
Marcados à pressa contra todos e debaixo do olhar reprovador das aparências morais.
Os grandes amores deixam uma marca igual à de uma cicatriz. que dói nos dias de frio e de mudança,
Chegam e achamos que é para sempre porque nos fazem doer as entranhas e nos tiram o sono e o apetite.
Eu conheci um grande amor a quem dei tudo o que tinha de melhor.
E criei as maiores expetativas porque o meu amor também era maior.
Escolhemos uma casa e fizemos planos para ser uma família.
Mas o meu grande amor não sentia o mesmo por mim e deixou que o capricho de terceiros decidisse o nosso rumo.
Os grandes amores começam às escondidas porque se calhar não deviam acontecer.
Têm o destino traçado para falhar porque não lhes chega a vontade para vencer.
Porque são de uma família só e não deixam mais ninguém tomar esse lugar.
Os grandes amores têm todos passado e filhos e vida.
Eu escolhi sempre mal os meus amores, porque eles nunca me escolheram a mim,
E eu quero chegar em primeiro lugar.
Eu quero ser encontrada sem ser às escondidas como o grande amor de alguém.


novembro 14, 2014

Não tenho idade para ter anjos da guarda nem amigos protectores.
Tenho toda a idade que legitima a minha vontade de querer ter um namorado, alguém real ao meu lado.
O tempo de espera acabou.
E as ilusões e as expetactivas ficam para os contos de fadas dos outros,
A minha vida é bem real.
E está toda aqui ao lado.
Basta abrir a porta.
E ela entrará toda por inteiro.
Basta eu querer.
E eu quero.
Cansei-me de esperar pelo que nunca chegou.