abril 13, 2015


O que fica dos passos que já demos?

abril 07, 2015


O que fazemos quando percebemos que alguma coisa vai acabar mal?

abril 05, 2015



Tenho o coração com uma ferida funda.
Acordo e trabalho.
Trabalho e vou dormir.
A meio da noite acordo e trabalho.
Trabalho, trabalho horas, dias a fio sem fim.
Começo o dia sozinha.
Acabo-o mais só.
Não vem ninguém.
Não há ninguém para me salvar.
O coração está em ferida porque não aguenta mais parar e recomeçar.
E parar de novo, congelado na espera do momento que nunca chega.
Acordo. Adormeço.
Vazia. Cheia de trabalho.
Não há mais nada.
Um dia após o outro numa agonia sem perspetiva de acabar.
Abriu-se uma ferida no coração que não sara enquanto for para viver assim.



abril 03, 2015


Sei que me sinto muito sozinha quando volto obstinadamente a fazer desporto para gerir o prazer da dor.

abril 01, 2015

Voltei a fazer desporto.
Como é que é possível eu ter parado?
Seguem-se próximos capítulos. Muito em breve.
À medida que releio e refaço o meu cv penso...
Bolas, eu já fiz isto tudo!

março 16, 2015


Não consigo dormir.
Irrita-me esta coisa de ver mais à frente do que aquilo que já se falou.
Do que aquilo que se sabe.
Já estou um passo à frente e sei o que aí vem.
Já desesperei e chamei a atenção.
Já doeu e já passou.
Não vale a pena mudar o rumo à força se ele não nos pertence.
A noite instala-se e ouço a minha consciência a falar-me e a dizer-me que já sabia o fim antes de o começar.
Não tenho o mesmo encanto pelos outros nem pela vida.
Perdi o ímpeto de voar nas ilusões do que um dia acreditei ser o meu lema de vida.
A família nunca chegou a aparecer e eu fui perdendo os sonhos.
Nunca veio o grande amor, ou o porto seguro, nunca vieram os bebés que planeei, nem a casa a dois. Nunca fomos dois,
O amor tornou-se um perigoso inimigo e amargou-me a alma e toldou-me o olhar e tornou-o cego e descrente.
O sono não espreita enquanto a consciência me vier recordar que esta não é a minha vida para cumprir os sonhos da cabana alimentada pelo amor. Pois se foi o amor que me destruiu...
Este não é o meu tempo e ter um grande amor.
Mas talvez tenha chegado o tempo de aprender a viver só comigo, por minha única conta.

A felicidade é um fragmento das ilusões que alimentamos na vida. Não é mais do que um sopro.

janeiro 25, 2015

janeiro 10, 2015


Criei este blogue como forma de terapia e ao longo de anos ele ajudou-me a expiar as minhas mágoas, a comunicar as alegrias.
Este era o meu lugar e por isso o dei pouco a conhecer porque era o meu canto que só deixaria alguém entrar se me respeitassem tal e qual sou.
Infelizmente deixei de me poder expressar livremente sem ter consequências disso.
A expressão tem sempre danos profundos e nem aqui mais eu sou livre.
Por isso deixarei de escrever.
E como já falo pouco, talvez um dia as asas quebrem de vez.
Porque de tantos vôos hoje sei que sou um pássaro em queda com a asa ferida.
Mas um dia voltarei a escrever.
E a ser livre de novo.


Às vezes ao fim do dia reúno-me com o mesmo grupo de amigas.
Fazemos um balanço de vida.
Bebemos e o tempo acaba por quebrar a tensão diária de quem não tem ninguém à espera.
Quebra a tensão de quem nada espera.
Chego a casa e ela continua gelada e silenciosa.
Ligo a televisão para ouvir as últimas notícias.
O mundo é-me estranho...
Olho para o armário onde escrevi as minhas metas de vida e não cumpri nenhuma.
Apenas a carreira deu certo.
Tomo calmantes para dormir mas acordo sempre na mesma a meio da noite.
Há uma angústia intrínseca de quem sabe que se perdeu no caminho.
Acordo sozinha.
Adormeço sozinha.
Todas as noites.
Todos os dias.
Enganei-me quando acreditei que o amor me salvaria da angústia da solidão.
Porque o amor expira sempre, como o iogurte que não chegámos a abrir e que se esqueceu no frigorífico.
Cansei-me de estar sozinha comigo.
E fui eu que escolhi ser assim.
Como fui eu que escolhi fugir de alguns caminhos.
O ano que já passou traz-me mais dor que boas lembranças e sei que não vou repetir um ano de novo tão negro.
Alguma coisa me mudou.
Perdi o encanto da surpresa porque ela nunca chegou.
Suspiro sozinha como se procurasse no eco desse suspiro a resposta do que não vem.
Não vem nada, foi quase tudo um engano que me aconteceu.
Mas como com a minha idade? Como?
O telefone toca.
" Casa-te comigo e resolves todos os teus problemas".
Fico enraivecida.
O amor tornou-se num negócio.
O amor é um trato entre pessoas pragmáticas que pensam só com a cabeça.
Já ninguém surge de surpresa.
Já ninguém aparece sem avisar.
Ninguém arrisca nada em nome do coração.
O amor não move ninguém.
Porque isso não traz prestígio.
Nem alimenta o ego.
E põe a nú a verdade e quase ninguém sabe viver às claras com a verdade.
Porque a verdade passou a viver-se escondida.


janeiro 09, 2015



Quando os sentidos se baralham todos...

Deixei de ter pena de estar sozinha.
Tenho tudo para viver.
E o tempo não me chega para tanto.


O passado acabou e eu nem percebi como nem quando.
Esgotou-se e não vi ir embora.
Acabou.

janeiro 05, 2015


Como uma casa desarrumada.
Ando em limpezas e a mudar os lugares de algumas coisas.
E a deitar fora outras que já não fazem parte de mim.
O meu blogue está em reciclagem.
Porque eu também.

dezembro 30, 2014



No dia em que desisti de lutar por ele, chamou-me porque me queria pedir em casamento e planear a nossa família,
No dia em que o fez, eu já não queria nada do que lhe tinha mendigado durante anos.
Nesse dia não senti vontade de chorar pela frustração, nem raiva, ou pena.
Fiquei com pena apenas por saber que aquele dia chegaria e que eu já não o ia querer.
O tempo passou e apaguei-o da memória como uma demente que nem sabe bem que nome tinha.
Voltei a apaixonar-me, mas com uma devoção sem dimensão, sem comparação até então.
E voltei a sentir coisas tão boas que quis ter a nossa família, escolher a nossa casa e ter os meus próprios filhos.
Mas o tempo nunca mais chegava e era desprezado como se fosse sempre tudo cedo demais.
E eu fui perdendo o encanto.
Sempre tão devagar que os avisos nunca chegaram para alertar de verdade as minhas mágoas então já repetidas.
Na verdade nunca mais fui pedida em casamento, nem tão pouco voltei a ouvir "eu quero ter um filho contigo".
Na verdade nunca mais ninguém me amou e o assumiu publicamente.
Talvez seja mais sensato assim para todos.
Na verdade não  espero mais ouvir declarações de amor, ou a chegada inesperada de alguém.
Houve um tempo em que acreditei muito no amor e que ele nos movia para sermos melhores, mas hoje acho que pensar assim é sinal de quem não vê bem o mundo.
E o mundo real não é movido pelo amor.
O tempo mostrou-me que de tanto que esperei pelos outros, acabei por me perder e desencontrar de mim mesma.
Fiquei cansada. Demasiada cansada em esperar pelos outros que me resgatassem.
Isolei-me e gelei.
Perdi tudo porque arrisquei demais em busca da felicidade.

E agora como é que me recupero? Eu que esqueci o que é gostar de mim mesma?
Eu que já esperei tempo demais à espera do tempo dos outros.


dezembro 29, 2014



Deve ser a última vez que escrevo este ano.
Parto em breve rumo a outro destino
Atrás deixo um ano dramático de profundos momentos de dor e com curtos rasgos de grande alegria.
Perdi tudo e acabei sozinha.
Nunca estive tão sozinha.
Tanto tempo e por dentro.
Se assim fiquei e se aqui cheguei foi porque também escolhi e permiti que fosse assim.
Perdi-me de mim mesma porque deixei de ver metas.
E esperei nos outros a solução de um futuro diferente.
Troquei os pés pelas mãos e atraiçoei a minha própria razão, achando que a emoção era guiada por um qualquer sexto sentido.
Quis jogar alto e perdi tudo.
Um dia acreditei que o mundo me tinha dado o direito a ser feliz.
Mas foi o uma ilusão.
Eu iludi-me a mim própria.
Despeço-me deste ano pedindo que nunca mais me maltrate assim.
Porque eu não aguento mais.
E ou só pode vir aí algo melhor...
ou cheguei ao meu mais profundo fracasso.
E se assim for, então este foi o último fracasso deles todos.

novembro 27, 2014


Os grandes amores começam sempre às escondidas.
Porque surgem de repente quando a vida ainda está por resolver.
São aqueles que não planeamos e nos assaltam num primeiro jantar onde achamos que íamos só falar de trabalho.
São quase sempre amores proibidos e impossíveis.
Marcados à pressa contra todos e debaixo do olhar reprovador das aparências morais.
Os grandes amores deixam uma marca igual à de uma cicatriz. que dói nos dias de frio e de mudança,
Chegam e achamos que é para sempre porque nos fazem doer as entranhas e nos tiram o sono e o apetite.
Eu conheci um grande amor a quem dei tudo o que tinha de melhor.
E criei as maiores expetativas porque o meu amor também era maior.
Escolhemos uma casa e fizemos planos para ser uma família.
Mas o meu grande amor não sentia o mesmo por mim e deixou que o capricho de terceiros decidisse o nosso rumo.
Os grandes amores começam às escondidas porque se calhar não deviam acontecer.
Têm o destino traçado para falhar porque não lhes chega a vontade para vencer.
Porque são de uma família só e não deixam mais ninguém tomar esse lugar.
Os grandes amores têm todos passado e filhos e vida.
Eu escolhi sempre mal os meus amores, porque eles nunca me escolheram a mim,
E eu quero chegar em primeiro lugar.
Eu quero ser encontrada sem ser às escondidas como o grande amor de alguém.


novembro 14, 2014

Não tenho idade para ter anjos da guarda nem amigos protectores.
Tenho toda a idade que legitima a minha vontade de querer ter um namorado, alguém real ao meu lado.
O tempo de espera acabou.
E as ilusões e as expetactivas ficam para os contos de fadas dos outros,
A minha vida é bem real.
E está toda aqui ao lado.
Basta abrir a porta.
E ela entrará toda por inteiro.
Basta eu querer.
E eu quero.
Cansei-me de esperar pelo que nunca chegou.

Chove demasiado e o tempo abana as estruturas.
Comecei a manhã nas escadas do prédio ao telefone a chorar que nem uma criança a pensar que não sou feliz e que tenho de mudar algo.
Fugi da minha equipa inteira porque não lhes posso mostrar que sou humana e frágil.
Mas sou e acordei com a ideia clara que não sou feliz.
Não sou feliz há tempo demais e já chega.
O dia corre devagar como a minha cabeça e o meu humor.
Engulo o mau humor e as lágrimas à medida que o tempo passa.
Passo o dia a comportar-me como uma máquina sem sentimentos e sem alma. 
A tarde cai e a chuva não pára.
Fechamos todos os computadores e marcamos encontro num bar perto.
Vamos chegando à medida que encerramos mails urgentes.
Pedem-se todos os tipos de Gin e vamos-nos sentando.
O bar enche connosco.
Ficamos uma hora.
E outra.
Passam horas e o dono do bar acaba sentado connosco.
Os copos seguem-se  uns atrás dos outros e começo a rir.
De repente começo a achar graça à minha vida, à vida dos outros.
Sinto que preciso de beber para me rir.
As mesas cruzam-se e cruzam-se contactos.
Somos tantos e tantos sozinhos.
Perco a noção do tempo.
E já nada me preocupa,
Não devo nada a ninguém.
Ninguém mais me espera.
Estou por minha conta...
Volto ao carro já a noite começou e vou a rir sozinha à chuva sem medo do vazio.
Comecei a manhã a chorar.
E hoje ao fim do dia percebi que sou feliz só comigo e  que estou completamente disponível para recomeçar tudo.
Ou viver tudo do zero.
Ou recomeçar o que ficou a meio.
Estou por minha conta e sei que me hei-de apaixonar por mim.
Pela vida que me espera,
Mas sei que me espera algo porque há vida demais em mim para que se acabe tudo já assim tão depressa.