Abril 18, 2014


A minha alma é puxada como se tivesse duas pequenas cordas que me sustêm quando chego à minha aula.
E por 1 hora eu sinto que consigo tudo.
Talvez porque a base do treino é saber sofrer e passar para lá da dor.
Saber sofrer e resistir.



Falha-te a voz quando te falo à distância de um telefone.
Travas as palavras para travar o choro.
E eu travo a alma para não me perder no medo da mudança.
Não te ouço em desespero e no entanto lamento o tanto que te dói.
Tu mesmo ali tão perto.
E eu a afastar-te como uma marca que arde e queima o coração.
Como se o amor fosse um cavalo lusitano marcado a ferro.
Falha-te a força para saberes aguentar-te até ao fim.
Eu finjo que não percebo e controlo o choro para não recuar tudo no tempo.
Separa-nos a linha invísivel de um telefone que hoje nos quebra.
Falha-te a voz.
E a mim a coragem.
Só choro quando já não me ouves.
Quando o telefone já nos separou de vez.
E em desespero pergunto porque é que me deixaste chegar aqui...

Acordo a meio da noite num espasmo de dor.
Durante uns minutos o corpo foge-me ao controlo e a cabeça segue-o, num disparate, atrás.
À minha volta só tenho o frio dos azulejos e o silêncio de uma lisboa inteira adormecida.
Por instantes acho que posso cair sumida e frágil e que não tenho tempo de chamar ninguém.
Não tenho força para chegar aos telefones e pedir ajuda.
Enrolo-me como um gato e fico sem falar, apenas à espera que este arrombo de dor passe.
Não sei se há alguém que nos proteja, mas eu sinto-me por minha conta.
Inspiro e expiro, enquanto limpo a cara fria e suada e penso que num segundo tudo pode fugir do planeado.
Estou sozinha.
Eu estou profundamente sozinha.
Espero por qualquer coisa, mas é tão angustiante que se ouve o tempo a passar.
A dor então acomoda-se a deixa-me mexer e ficar menos assustada.
Regresso à cama, como se um grupo de pessoas me tivesse espancado durante horas a fio.
Sinto que estou a passar por um processo de recuperação, como uma adicta que dependeu tempo demais de uma droga.
Estou intoxicada por todo o lado e sinto-me doente e presa, dependente de um tipo de droga que ilude.
Uma droga chamada amor.

Abril 17, 2014

mãe, eu sinto dor.


Ligo o computador todas as noites quando vou para a cama.
Não consigo ler uma única página de livro algum.
O silêncio da noite não me assusta mais, nem a cama fria quando toco nos lençóis.
Mas há um incómodo qualquer que me corrói o corpo por dentro e me tira o sono.
Não penso no futuro nem sei se ele vai correr bem, mas também não o temo.
Não me mexo demasiado na cama porque não sinto calor ao meu lado, ocupo apenas a parte que foi sempre minha como se não me quisesse confrontar com o frio do colchão do lado de lá.
Talvez e apesar de não gostar da solidão, eu seja uma alma solitária porque travo sempre as maiores batalhas quando já ninguém espera nada de mim.
Quando já ninguém acredita na minha coragem para tomar decisões, eis que decido chegar à cama vazia, sem nada para ler, ou chorar, inundada num silêncio pertubador e pergunto-me....
Porquê, Joana?
Porque é que teve de ser sempre assim?

Abril 16, 2014

eu. esta pessoa danificada.

Descobri o Ique por acaso porque a internet é um mundo onde trocamos experiências.
Apaixonei-me pelos textos dele porque podiam ser reflexo de uma hipotética terapia minha..
Porque afinal faz parte da condição humana sermos todos tão parecidos.
Tão iguais.
E se isso é fascinante, também assusta demais.
Descobri que é normal ter cicatrizes.
Mas o que fazem as cicatrizes connosco?
Um blogue a não perder mais de vista...



Você sente falta. 
 Sente o cheiro dele em qualquer perfume. 
 Fica esperando que ele volte.
 Mude de ideia. 
 Mas ele não volta. 
 Porque as pessoas não mudam.
 Elas em algum momento, param de esconder. 
 O que sempre quiseram ser.
 Essa história, você está cansada de ouvir. 
 Um cara, ilude uma mulher, fala que gosta, fode, e em milionésimos de fração de segundos, muda de ideia. Como esperar que ela não se importe com isso? 
 E por isso as mulheres estão assim, danificadas. 
 Com medo, com cicatrizes, que nenhuma maquiagem, é capaz de esconder. 
 Que nenhum salto, é capaz de aguentar o peso da dor. 
 Não posso desistir, de uma mulher, que se envolva. 
 Eu iria para qualquer lugar com você. 
 Mas antes você precisa se libertar dessa dor.
 Isso não é desistir. 
 É deixar ir. 
 E finalmente, aceitar quem é você. 
 Quando isso acontecer, vamos dar uma volta. 
 Tomar um café, fumar um cigarro, prometo que vai ser divertido. 
 Depois disso. 
 Eu vou querer que você sinta falta de mim. 
 Mas não porque desapareci. 
 Não atendi. 
 Mas porque gostou. 
 Desse meu jeito bobo. 
 Do meu perfume. 
 E quem sabe até do café.
 Eu quero sim que você sinta falta. 
 Não do vazio. 
 Mas sim, do meu inteiro.

http://www.thebrocode.com.br/

Abril 11, 2014


Hoje, na aula de cycling quando a dor já me pesava e estava a chegar ao final sem forças, ouvi que os guerreiros são muitas vezes os que vêm atrás a resistir e só ultrapassam todos quando avistam a meta.
Nem sempre vejo as metas na minha vida e nem sempre saio vencedora, mas sei que a mensagem era para mim porque tenho resistido a uma corrida longa, aguda e sem fim à vista.
Mas vou indo, às vezes em esforço e dor, mas não páro, porque também sei que na dor, sabemos até onde conseguimos ultrapassar os nossos próprios obstáculos.
E assim sigo, sem medo da dor.

Abril 03, 2014


Esperamos que os dias nos acontençam sempre como os colocámos, no patamar de que a felicidade é um instrumento fundamental para nos mover.
E os dias passam e a felicidade parece sempre uma miragem, quase que um sonho ou uma expectativa de uma criança tonta que fantasia sem noção do real.
Passei os últimos anos a achar que a felicidade é uma coisa estranha que se sente, aquela coisa que faz doer o estômago e que só os loucos atingem, os que têm tempo a perder...
E fui morrendo todos os dias um bocadinho.
Fui deixando que me fizessem acreditar que ser feliz é uma aspiração de algo irreal, uma coisa insana dos imaturos que não comandam o destino que é talhado a ser material.
A felicidade tornou-se então uma busca abstracta de coisas que me davam prazer imediato... o paladar, a dor do desporto.
A felicidade falou comigo há pouco tempo, num dia de deserto em que ouvi um sopro que me disse que a felicidade é um direito natural dos audazes, dos que constróiem todos os dias um caminho, mesmo que se arranhem todos...
a felicidade é a busca dos audazes....
e a única coisa que tenho medo é de não ser feliz, não é de arriscar.

Março 28, 2014


Trouxe de Marrocos o cheiro do jasmin misturado com a flor de laranjeira.
Entranhou-se na minha pede e está preso na garganta, como um perfume que se bebeu e alastrou aos sentidos.
Não sai mais.
Já não sai mais.

Março 21, 2014


Acaba uma semana e começa outra sem parar praticamente, sem descansar a cabeça.
Não consigo parar mesmo quando posso, como se a minha cabeça tivesse pedais a girar sozinhos numa bicicleta desgovernada.
Ouço as pessoas, mas acho que já não as registo, parece que se apoderou uma incapacidade nas minhas funções vitais.
O coração não dói mas bate depressa demais a pedir-me que chegue a algum lugar.
Mas que lugar se não sei que caminho quero fazer?
Só consigo ouvir o meu silêncio.
Durmo pouco e as horas agitam-me com a pressa de acordar, de ir, só ir para qualquer lado.
É como se tivesse despedidas para fazer, mudanças para começar, decisões tomadas mas que não quero confrontar. Como se tivesse o mundo para resolver num só fragmento um pouco assustado.
Corro para as minhas aulas de spinning e travo a luta inglória com o coração a exigir-lhe que me leve mais além, mas ele nem sempre me quer obedecer. Não estica mais.
Não lhe faço perguntas, porque não me parece que seja bom avaliador da minha vida e de onde me colocou.
E a cabeça está forte demais para encontrar o equilíbrio de o querer ouvir.
A cabeça não quer ouvir mais nada, nem ninguém, apenas a sombra do passado que quase tudo destruiu.



Março 19, 2014


Entro em casa e sinto que o chão de tacos da madeira antiga, já começa a aquecer.
Ligo a televisão para ouvir as notícias, enquanto olho para o frigorífico a pensar que a única coisa que não tenho é vontade de comer.
Tiro o som da televisão e olho só para as imagens, como se na verdade não quisesse saber bem de nada.
Acendo as velas e espalho-as pela casa como se me desenhassem um caminho.
Agarro num copo de tinto e renovo-o deixando que me adormeça a agitação dos sentidos e penso que os bons escritores às vezes se devem embriagar para sentirem e escreverem coisas tão geniais.
Espreito mails, trabalho até tarde porque não quero ter tempo para pensar em mais nada.
Dou outro gole enquanto olho para as imagens com movimento e sem som e deixo-me embalar na dormência de quem não sabe o que vai fazer.
E começo e acabo o meu dia comigo.
Sem pressa de me responder a nada, sem a exigência de cumprir mais prazos, sem querer agradar a mais ninguém. Sem querer fazer fretes por ninguém.
E o meu único medo é que perceba que está é a minha única maneira de saber viver.
O vício de já não perceber o que é amar alguém.



Nunca celebro muito o dia do pai.
Talvez não tenha o pai ideal e aquele que acho que merecia, mas em alturas importantes da vida em que tenho de tomar grandes decisões, é das primeiras pessoas a quem recorro.
Porque é forte.
Porque tem a alma de um guerreiro e relembra-me sempre que nos construímos a nós próprios, mesmo que seja sempre a começar do zero.
Mesmo que doa nos ossos, enquanto há alma, há caminho para ser fazer a andar.
E como qualquer lutador que andou no campo de batalha, aconselha que não perca muito tempo a pensar nos "ses" de tudo porque entretanto o momento já passou e os danos colaterais podem ser mais graves que as nossas decisões.


Março 17, 2014


Nos dias das grandes decisões lembro-me sempre de um combate de boxe.
Há sempre alguém que sofre um knock out e é preciso coragem para saber que podemos ser nós.

Março 10, 2014



 Sempre disse que queria ter uma escola de crianças. Um lugar onde pudesse fazer qualquer coisa para lhes mudar o rumo se, porventura, ele estivesse pronto para correr mal. Acho que todos temos um papel na vida, uma missão, a minha diz-me que é esta. Ontem de manhã, enquanto passava a repetição do Eixo do Mal, vi este vídeo.

Março 04, 2014


Fui atropelada por um camião e fiquei desfeita no chão.
E não sei como me levantar se não tenho pernas.
E a alma está atordoada de tanta pancada.
Mas ainda não foi desta que morri.


Fevereiro 04, 2014


Há dias duros em que acordo a querer dar murros em pontas de facas.
Doía menos se fosse assim...
A mãe deu-me um livro que fala que todos temos anjos da guarda.
Ontem agarrei no livro e senti-me ofendida, provocada.
Apeteceu-me atirá-lo contra a parede, na esperança de o magoar.
Mas só ia estragar o livro... ele não sente nada.
E os anjos da guarda são uma imaginação dos fracos que não sabem resolver a sua vida sozinhos... sim, fracos como eu que precisam de se escudar com a imaginação.
Entro calada no trabalho e digo bom dia a todos, como faço todas as manhãs, mas peço em silêncio que ninguém repare em mim.
Mas os olhos traiem-me, como a minha pele que se mancha de vermelho e ferida quando estou a sofrer por dentro.
Passo pela rua e ao meu lado acompanha-me um colega de trabalho que me faz uma festa porque não nos víamos há semanas.
Penso que o caminho dele é o mesmo que o meu e que é isso que o faz estar comigo.
Falamos das minhas viagens que o inspiram sempre a sonhar e da vontade de partir, viajar sempre para ganhar mundo por dentro. E trazer mundo no coração.
Afinal ele acompanhou-me apenas porque tinha saudades. Não queria mais nada de mim, apenas a minha companhia e o meu mundo.
Pus as mãos nos bolsos para aquecer do gelo que estava na rua e agarrei numa bolsinha muito pequena perdida no bolso.
Umas sementes que guardo há muito tempo e que dei como desaparecidas.
Umas sementes de um amigo que em tempos me deu para me proteger sempre dos dias maus, das coisas más, dos dias em que ele não pudesse estar por perto.
Cada vez menos acho que tenho um anjo da guarda.
Estou por minha conta, não posso contar com o meu imaginário infantil.
Mas tenho muitos amigos que me protegem com o coração deles, quando me relembram que me amam.
Sim, porque o amor tem diversas formas de aparecer.
O amor que mais preciso não é o físico, é o que não tem tempo, nem prazos, nem outras escolhas, é o amor que vem cheio de alma.
E os anjos da guarda?
Ficam fechados no livro e na ignorância dos que ainda esperam que alguma coisa boa aconteça.

Fevereiro 03, 2014



Espreito pela manhã os canais e vejo um menino pequenino, loirinho e com uma cara de anjo caído do céu.
É o Daniel, aquele menino que foi arrancado por alguém na ilha da Madeira.
E sinto, ao olhar para ele, que há coisas que não encaixam.
Que há gente que nunca poderia ter tido filhos.
Há filhos que mereciam outros pais.
E que há pais que podiam ser tão bons e que não conseguem biologicamente ser pais.
Porque parece que há um deus que escolhe essas coisas.
Um deus que dizem que é justo e a quem devemos agradecer tudo o que temos.
E eu que acho que já sou tão crescida,  continuo a não conseguir entender nem aceitar a injustiça das coisas.
A porra das coisas que dizem que são divinas... de um deus que quer sempre ter razão.

Janeiro 30, 2014


A nossa própria companhia, é sempre a melhor companhia do mundo.
A única que nunca se atrasa, que não nos troca por outra escolha, a que não nos ofusca, nem nos assume na sombra.
E eu adoro passar o tempo comigo.

Janeiro 23, 2014

IN THE STUDIO WITH MARY HELEN BOWERS from Katrina Yap on Vimeo.

Ando sempre à procura de formas de amor.
À procura de sinais de vida, na vida feita de rotinas e tanto descrédito.
E ai de mim no dia em que deixar de acreditar nas coisas assim...