Agosto 30, 2014



"Dor é uma sensação desagradável, que varia desde desconforto leve a excruciante, associada a um processo destrutivo atual ou potencial dos tecidos que se expressa através de uma reação orgânica e/ou emocional".

Agosto 29, 2014



Esta é a primeira.
É a vez.
Que falo aqui de ti.
E a última também.

Agosto 20, 2014




Há um silêncio que se instala à noite por vezes...
Que me aperta as cordas vocais e contém um choro descompensado que dizem já não ser típico das pessoas adultas como eu sou.
Parece que já sou adulta, a mãe relembrou-me disso numa conversa rápida à tarde numa rua movimentada de Lisboa.
Caiu-me a ficha dos neurónios há uns dias, quando ouvi que acabou o meu tempo de esperar o colo de um pai.
O pai nunca virá. Não conseguiu chegar a tempo. E o nosso tempo já se esgotou.
Já não sou pequenina. Não sou? Mas eu achava que sim...
Chegou a hora de ser eu a cuidadora. De possíveis crianças. Talvez até de crianças que nunca serão as minhas. Chegou a hora de ser a cuidadora dos mais velhinhos que um dia foram os meus cuidadores.
Que palerma que sou. Quase a fazer 35 anos e achava que ia a tempo de encontrar alguém que me protegesse, que não me partilhasse, que não me preterisse a mais amor algum.
Mas é verdade, acabou o meu tempo e não vem mais o príncipe encantado.
Sou a pessoa do segundo plano porque cresci assim. Acabou o tempo de ter tempo de ser o centro do universo para alguém. Acabou um tempo que nunca tive como meu...
Que pena...
Ninguém quer ser cuidador. Não de adultos.
Entendo.
E quem se aproxima não me quer cuidar.


As horas da noite correm lentas e doridas porque há descobertas que já vêm tarde demais na minha consciência.
Talvez esteja a colher as desilusões das coisas que eu própria semeei.
Sou esta pessoa cheia de imperfeições que não sabe escutar a própria consciência à noite.
Sou esta pessoa que não sabe ser feliz com o que oferecem como possível de dar.
Sou esta pessoa que descobriu que se calhar não ama homem algum.
Porque no fim de contas repetem apenas o padrão da ausência e do descuido.
São o espelho do pai que nunca optou por mim.


E agora?
O que faço eu com a noite que me confronta com a verdade e a solidão?





Agosto 18, 2014



É das primeiras pessoas que se vê quando entramos.

Tem um olhar com vida, de quem terá histórias para contar até ao resto da vida.

O espaço que se lançou por ser o lugar  dos paladares mais notívagos e das mulheres da noite, hoje tem o peso de muitos anos de família e tradição.

Ir ao Fialho é como dar a experiência de uma vida ao bom gosto e à boa cozinha que por cá se faz.

Durante uns anos via-o só como o anfitrião de uma casa, dizíamos só olá e adeus.

Mas desta vez tive  prazer de o ter à mesa.

O que me emocionou não foram os mais de 80 anos tão bem vividos, ou os amigos que tem e que saem em revistas e o colocam lá a ele também, com o excelente mérito que tem.

O que mais me tocou foi perceber que alguém que quer pôr alma num projeto como um restaurante, tem de fazer ali a sua casa, a sua família, o seu palco e a sua solidão.

Alguém que quer dar a alma a um projeto, como o sr. Amor fez pelo Fialho, tem de se comprometer a uma só relação, o seu projeto.

Não há espaço para mais.

Saber escolher é um gesto de grande dignidade e coragem que nem todos sabem fazer.

E depois da escolha, há que saber aceitar que possivelmente se optou pela solidão, mesmo quando há uma multidão que os aclama.

i'm not giving in.






As minhas melhores aulas de rpm são aquelas que duram mais tempo, as que me espremem até ao tutano.


São as que me movem pela raiva que tenho cá dentro.


São aquelas em que o suor me turva os olhos e a alma cai até aos pedais.


São as que me doem nas pernas e no coração e as que luto até ao fim, enquanto ouço esta música.


As minhas melhores aulas de ginástica são as minhas melhores sessões de terapia em que a única coisa que tem de ficar é a força interior.


As melhores aulas são as da vida, aquelas em que tudo nos foi dado para poder falhar e nós decidimos vencer.


São aquelas em que por mais que se apanhe, o chão não chega para cairmos.


Hoje na minha aula de rpm sofri tanto que acabei num grito de dor.


Ou de libertação.


É que meti na cabeça que quero ser uma vencedora e não vou desistir.


Venham lá tentar convencer-me do contrário!

Agosto 17, 2014


Estou quase a chegar a um final qualquer.
Só me falta um passinho tão pequenino.
Um passinho que está quase a ser dado.

Agosto 13, 2014




Nos dias em que a raiva quase me deita ao chão.
Nos dias em que acho que a razão me foge e penso que queria vingar-me de quem me faz mal.
Nos dias em que me custa levantar da cama e sentir dignidade nos meus gestos.
Nos dias em que tenho pena que me façam mal quando a única coisa que me limitei a fazer foi amar alguém.
Nesses dias quem comanda é a minha cabeça.
Há um combate cá dentro que me torna cega, perigosa.
Nos dias em que dói o coração e a alma parece que caiu aos pés...
Nesses dias vou sempre buscar a força mais profunda que move os poucos que são guerreiros e que não têm medo de nada.
E doa o coração, os joelhos, ou os pulsos. Doa aquilo que me doer, não chega à cabeça.
E a alma vai erguer-se até ao topo porque ninguém mais nos toca.
Eu casei-me comigo há uns poucos anos e fiz a promessa que na dor e na raiva, estaremos unidas até ao fim.
Nem que fique em sangue.
Mas raios me partam se quem manda não sou!

Agosto 11, 2014

adeus.


O último beijo nunca é dado com a consciência que foi o último.
Acontece e só depois sabemos que acabou.
Às vezes passam dias, meses de ilusão e espera.
O beijo final é como uma picada incisiva da serpente, acontece quando não se espera.
O último beijo é quando já não se sente saudades para repetir.
É dado quando a alma já se cansou de dar oportunidades. De esperar.
O último beijo não sente amor.
O beijo do fim é quando já não se anunciou.
O beijo final é o que se imagina, já para não se perder mais tempo a dar.





Sempre me agarrei à ideia que devia lutar com todas as minhas forças pelo tempo certo.

O tempo que estaria guardado para mim com a promessa de um caminho feliz e que me estaria guardado por direito e mérito.

Mas o tempo certo não é o que está para vir, mas o que existe.

Aquele que é o presente.

E se no presente o caminho feliz que buscamos não existe, então é porque também não era o certo.

E por mais que custe, não há mais caminho pelo qual esperar.

Foi caminho que se esgotou.

Agosto 10, 2014



Corremos o sul enquanto o sol estava no pico máximo.
Dormíamos nas horas trocadas do dia e fazíamos das noites a nossa confidente.
Adormecemos tantas vezes no sofá, quantas ouvimos a Feist perdida pelas paredes que nunca deixaram de ser brancas.
Os melhores jantares faziam-se sempre a dois. Com os pés descalços e em misturas de vinhos que estavam abertos de jantares passados.
Não devíamos nada a ninguém e por isso o tempo começava e acabava na nossa vontade de fazermos companhia enquanto o verão durasse.
Às vezes vestia as t-shirts largas e calçava uns ténis Gazelle que nunca mais quis pôr.
Nunca me apaixonei apesar das tantas noites e dias em que fizemos companhia.
Mas era bom assim.
Sem compromissos.
Nem afectos.
Apenas o impulso de ser bom não ser de ninguém.
No cansaço dos jantares perdidos, adormeci num sofá gelado de pele e deixava que me ficasse a pentear o cabelo e dizia sempre com tristeza enquanto me olhava:
"Joana, Joana, um dia vais ter de crescer".
Dos tempos em que não amei nada nem ninguém.
Dos tempos em que vivi sem me preocupar com o ontem ou o amanhã.
Desses tempos e de mim...
Em que ninguém me tocava o coração, nem arrepiava a pele.
Tenho agora saudade.


Como é que se explica a um homem que estar sozinha não é sinal de estar disponível?

Agosto 09, 2014


Homens acima dos 35 anos.
Sem filhos.
Sem relações por acabar.
Que se apaixonem sem traumas do passado.
Que movam o mundo só para não nos perder.
Que não sejam gays disfarçados.
Há?
Não há, pois não?
E agora?


Ao meu lado está um casal.
Nada de especial até aqui.
Até que ela fala a tarde inteira de amamentação e infantários.
E diz que quer aprender a bordar e se ele lhe paga um workshop que está na moda e aparece no facebook.
Ele vai respondendo monocordicamente enquanto olha para mim de forma distraida...
São casados e devem ter a minha idade.
Percebo que ela não trabalha e vive à conta dele.
Volta a falar de bebés e das maminhas que se quebram após a amamentação.
Eu estou ao lado a tentar ler o jornal e apanhar sol sem que ninguém repare muito em mim.
Mas ele repara. A tarde toda. E eu sinto-me mal, como se estar sozinha fosse sinal de ser disponível.
 Ele é um idiota como quase todos os homens que conheço.
Ficam com mulheres sem grande inteligência, com quem casam e têm filhos e cujos caprichos pouco ambiciosos sustentam. Enquanto olham para o lado para as mulheres que estão sozinhas.
Ambos tinham a minha idade.
Ela era "poucochinho" mas tinha um filho e estava casada.
Não queria muito da vida e não sabia o que eram mirtilos, "aquelas frutinhas escuras que comeu em casa da sogra".
E ele se calhar prefere ter uma mulher assim, porque controla tudo melhor.
E eu que me considero uma mulher inteligente e com metas e sede de mundo, estou sozinha e sirvo apenas para os fetiches de uns palermas que fingem ser uma coisa que não são.
Talvez se eu fosse um bocadinho menos... talvez se quisesse ser sustentada por um homem e se engravidasse sem querer. Talvez se eu quisesse bordar...
Talvez se tivesse menos metas...
Talvez não ficasse mais sozinha com os homens casados a olhar para mim.
Talvez se eu fosse menos, talvez tivesse mais.
Que merda...




Julho 28, 2014


Todos os dias agradeço a Deus aquilo que me tem acontecido.
Porque acho que ele me está a levar ao caminho certo.
Onde não há pressa nem vontade de apanhar qualquer comboio.
Onde o tempo parou.
E já não procuro mais nada nos outros.
Apenas comigo própria.

li na minha revista favorita "The Economist"

"The scandalisers themselves became the scandal"E não podia estar mais de acordo.

Julho 21, 2014


Uma guerra fria é quando alguém nos tenta minar o caminho todo e não nos enfrenta por cobardia.
 E nós reagimos hipocritamente a fingir que não notamos nada.
Até ao momento em que sabemos ambos que as armas estão apontadas e que será na primeira distração que o primeiro ataque se faz.
E sabemos que temos todas as horas do mundo para esperar pelo segundo exato.

Tenho passado algum tempo a pensar que quanto mais tempo resolvo eu todos os assuntos da minha vida, menos preciso dos outros e menos sinto falta deles.
Ás vezes temo estar a chegar à conclusão que quanto mais independente sou, mais sozinha me torno.
Porque já não me faz falta ninguém.
E isso pode tornar-se assustador porque nessa independência não sei onde encaixo a maternidade.

Julho 15, 2014

mais certo que matemática


Quando procuramos uma coisa.
Encontramos sempre.

Julho 14, 2014


Uma mulher que tenta lutar pela sua felicidade é uma leviana.
Um homem que faz o mesmo é um coitado que foi de certeza mal tratado por uma mulher leviana.
Vivo numa sociedade preconceituosa que acha que os únicos que têm direito a refazer a sua vida são os homens.
Nós as mulheres, ou acertamos à primeira e não nos questionamos sobre nada, ou somos julgadas em silêncio por quem não tem coragem de lutar.
Eu, sou esta mulher pouco resignada que prefere carregar o fardo da má língua a viver mal amada para sempre.

Julho 13, 2014



No dia em que a Argentina perde para a Alemanha.
É mais um dia em que sinto que o coração nunca pode levar a melhor.
Porque é sempre o cérebro e a estratégia que ganham às emoções.
E por isso serei sempre uma perdedora.
A não ser que me renda e mude a forma de estar na vida...
Nunca o coração leva a melhor.