Novembro 29, 2008

Joaninha


Fim-de-semana da campanha do Banco alimentar.
O Pingo Doce à pinha com gente, barulho e canções de natal.
Filas intermináveis para chegar a minha vez na caixa, o que me deu tempo de avistar uma Joana que me tornou a minha tarde deliciosa.
A Joana era uma lobito dos escuteiros, com uns 8 anos que estava a recolher os sacos com os alimentos para o Banco alimentar.
- "Então, o que é que tem aí p'ra mim? Ah, não tem nada? Não faz mal. Xi, ganda sorte, aquele saco está cheio! Obrigada! Vou ficar aqui com este saco que como não é pesado, fico à espera de outro".
A Joana obrigou praticamente todas as pessoas a comprarem um saco cheio de coisas.
Chegou a minha vez, eu e a mãe demos um saco cheio e a Joana desfez-se num sorriso que nos pagou todos os sacos seguintes.
Falei com a Joana que me oferecia catálogos do Pingo Doce para os "meus filhos".
- Não tenho filhos Joana, é uma pena. Mas ainda não tenho...
-Ai não tem? Então da próxima vez quando vier cá já vai ter.
Perguntei à Joana se os pais também já tinham sido dos escuteiros e arrependi-me de ser sempre tão indiscreta: " O pai sempre foi dos escuteiros, mas a mãe não tinha tempo para mim nem para o pai e foi embora".
Fiquei sem saber o que fazer, disse-lhe só que não tem mal, mas sei que tem. Sorri e pedi em segredo que a Joana se voltasse a rir antes de a deixar de ver: "Joana, obrigada pela tua ajuda nesta camapanha".
E a Joana sorriu da última vez que a vi e a tarde valeu-me ouro e voltei a acreditar que há boas coisas à nossa volta.

Novembro 23, 2008

Não sei ficar


Não vás.

Se fores, não partas sem mim.

Novembro 22, 2008

Paris


Tentei encontrar as nossas fotos de Paris; tentei rever-me de gorro de lã e nariz vermelho, rodeada de árvores de natal e pistas de gelo junto ao Hotel de Ville. Tentei encontrar as imagens de Versailles, o Petit trianon, as praças douradas junto ao Sena e a Place des Vogues onde comprámos os nossos quadros mais bonitos.
Talvez seja sensato não ter encontrado nada, poupei-me a mais uma facada que me dou a mim própria.
Deveria em breve voltar a Paris, mas mais uma vez, a vida, põe-me provas que para além de me magoarem não consigo concluir que lições me devem dar.
Um sonho adiado para um dia que eu o posso realizar sem mais ninguém e a saudade de voltar sempre ao lugar onde sinto que retorno a casa.
À minha espera fica o chocolate quente em cada esquina de Paris, as feiras da ladra junto ao Sena, os pintores de Montmartre, as lojas dos marroquinos que eram fantásticas para regatear preços, o bairro do Marais, o jardim do Rodin e os concertos à noite na Sacré-Couer.
Um dia vou voltar a Paris sem ter de fazer a ginástica mental de saber viver todos os dias da minha vida.

ESTOU À VENDA!

Novembro 21, 2008

Partida


O Pedro parte para o Brasil na segunda.
Vai para Salvador ver o tio, a Gaby e a Mel.
Fica por lá um mês.
Pouca roupa, chinelos e muita vontade de viver a essência das coisas.

O que é que eu ando aqui a fazer?

Engravidei do Coração


Engravidei do coração quando me envolvi nesta campanha.
Quando vi a história das crianças escravas no Lago Volta, no Gana. Crianças que com 4 anos já estão nas águas paradas do Lago, debaixo de água a soltar redes, a passar fome e frio e a trabalhar 14 horas por dia, todos os dias das suas vidas. Muitas morrem por doenças, fome, más condições, exploração... E quando lhes perguntam se querem voltar para a mãe, choram, recuam e dizem que não, porque são os próprios pais que as vendem por pouco mais de 30 dólares, para comprar uma saca de farinha para o resto da família.
A jornalista Alexandra Borges é a mentora de toda esta campanha e nunca desistiu de mover montanhas, depois da reportagem, o livro, agora o CD. Por cada 1000€ por ano, qualquer um de nós pode salvar uma criança, por ano. O objectivo é que cada criança tenha, no mínimo, 10 anos garantidas de escola, roupa lavado, alimentação, saúde e muito afecto!
Esta sexta-feira lançamos um CD dos Filhos do Coração, à venda a partir deste fim-de-semana, na Worten, em todo o país.
Por cada 3 euros, 1.5 reverte a favor do resgate destas crianças.
Não custa muito pois não?
E ao ver o rosto envergonhado destes meninos é tão fácil engravidar do coração...
Como devem perceber não ganhamos nada com isto, apenas o triunfo de poder salvar uma vida que seja.
Como diz a Alexandra, "ajudem-nos a ajudar".

http://www.touchalife.net/
www.anacardosoarte.blogspot.com/

Novembro 19, 2008

Pequena realidade


Fiz por não ver durante o tempo que me foi possível contornar a verdade.

Ver de frente as coisas que não nos agradam é um gesto de maturidade que me tem faltado.

Durante algum tempo preferi fechar os olhos para ver à minha medida só o que queria, o conforto de sermos ignorantes perante nós próprios é uma vantagem quando não se quer reagir a nada.

Ser independete tem o custo de se assumir todos os dias que não podemos esperar por ninguém, pois foi a exigência que fizemos a nós, aos outros.

E quando de repente somos quase que obrigados a recuar no orgulho e a ceder, percebemos que afinal a independência é uma treta e que dependemos sempre um pouco de alguém e cada vez menos só de nós.

E hoje as olheiras e o ar triste traiem-me diante dos mais distraídos...

Novembro 17, 2008

A conta gotas


"A Joana tem de se proteger mais".
Pelo sim, pelo não, tomo umas gotas, de óleos de flores, que a mãe comprou para me dar força e até alinho nisso, sabem a aguardente velha, gosto!
Concordo, tenho de me proteger, principalmente de mim própria.

Novembro 15, 2008

Não vejo


São vozes diferentes, os fantasmas nunca nos falam da mesma maneira.

Assombram-nos quando algo correu mal e aparecem todos a rir e a ver quem ganhou a aposta.

São ecos disformes, como o meu olhar que se turva na ausência de resposta.

Não chego a nada para desligar, não como, não me movo e espero que passe, é como um rastejar de guerra, silencioso e penoso.

Ecos do passado, muitos, ao mesmo tempo... perdem-se no meu vazio.

Porcelain

Sempre convencional como as amigas todas.
Famílias semelhantes, a viver todos em bairros próximos.
Vestiamos a mesma roupa e faziamos as compras nos mesmos lugares.
O primeiro namorado seria o último amor.
A missão da vida seria casar sempre pela igreja e ter filhos com os nomes antigos que sempre adorámos.
Frenquentámos, muitas de nós, a mesma faculdade, os mesmos ambientes e os projectos comuns.
Sair de casa dos pais seria para ter casa, casada.
Sair da faculdade seria para ter uma carreira.
O manual de vida que seguimos durante quase 30 anos nunca nos preveniu sobre como viver se tudo saísse trocado.
E agora não sei escolher direcção alguma sem ter mais medo do que tinha quando dei os primeiros passos em bebé.

Novembro 13, 2008

Pai


Há dias em que depois de chegar do almoço com o pai fico com vontade de chorar.
Não gosto de me despedir com o "até para a semana" do costume.
Perguntam-me se estou bem, sorrio e engulo em seco e digo que sim.
Mas queria ter tido sempre mais tempo...


In the late 1980’s Paula Rego made a series of painting to explore close family relationships. All the relationships seem somewhat dysfunctional, particularly those between the fathers and the daughters. The Policeman’s Daughter is angry, her hand rammed into her father’s boot as she cleans it, a drawing for the painting shows its genesis in a relationship that is a little more innocent – a younger girl, cradling the boot as she cleans it, a toy castle symbolising security at her feet. in http://www.saatchi-gallery.co.uk/artists/artpages/rego_paula_policemans_daughter.htm

Novembro 12, 2008

Um anjinho


"Porque é que não levas de vez em quando o carro? O pai até te deixa levar o carro para a faculdade".
"É que os pais já gastam imenso dinheiro com o meu passe".
Caramba, como é que somos tão diferentes?
Adoro-te mano...

Out of..


Está de partida para o Brasil.

Tento controlar a angústia da ausência e pergunto numa mensagem em desespero "quando é que vais mesmo?". Já me respondeu vezes demais e teimo em não decorar.

Ligo a aparelhagem e ouço a banda sonora do Out Of Africa... "I had a farm in Africa..."

Viajo até ao Brasil e procuro-me por lá.

Hoje tocaram ao de leve na minha mão "onde está a aliança?", respondo que já faz quase um ano que nos separámos... no papel.

"Se pudesses também ias para o Brasil?".

Não respondi...

Novembro 11, 2008

Um bebé grande

Olho para ti e vejo-os em nós.
Imagino as formas, os bracinhos gordos, o morder do lábio, os olhinhos meigos, o mau feitio.
Quebras-me neste olhar tão teu.
Seríamos nós em ponto pequenino e doce e refinado.
Parabéns meu querido...

Novembro 10, 2008

Um dia... II




Perco a cabeça e dou-te um murro em cheio.

Devolve-me os laços


Vai, mas não partas para sempre.
Ameaça e segue pelos teus passos, mas faz sempre o caminho para trás.
Vai, aos bocadinhos, mas deixa parte de ti aqui, comigo.
E deixa-me sempre regressar ao teu ombro, onde me encosto e então sim, descanso.
Deixa-me sempre chegar a ti, não rompas os laços.
Não podes. Não faças.

Fugaz demais


Há alturas em que não se consegue escrever uma frase sequer a expressar o que nos aperta o peito e causa agonia pela manhã.

Há dias em que é violenta demais a realidade para a transcrever.

Anda meio mundo a tratar mal outro meio e para quê?

Depois tudo vai, mesmo antes de podermos mudar qualquer coisa...

Novembro 05, 2008

CQC


Um blog a não perder, com um movimento assim, nem precisamos de mais nada!

Para quem não conseguiu ver o CQC no dia, pode sempre revisitá-lo, no seu melhor:


Novembro 03, 2008

Caminhos sem saída

Quando temos de tomar uma decisão, por onde nos guiamos?
Qual dos nossos lados devemos ouvir?
Que consequências devemos medir?
Que prazo devemos estipular?

Supergirls just fly


Disse-lhe que estava triste e que o sábado me invadira a casa com um clima de gelo.
Sugeri sushi na rua e uma compra urgente de um aquecedor para a minha casa nova, apareceu com o sushi e com o aquecedor ... e um ramo de rosas vermelhas.
Há dias em que é lento o passar do tempo, a noite arrasta-nos para uma tristeza que não se traduz em palavras.
Não esperava que ele fosse, não esperava que me mimasse mais, já não espero nada porque cada vez desaprendo mais a dar.
A sala aqueceu rapidinho com o novo aquecedor, enquanto o vinho gelava a mil no congelador e o sushi se punha em pratos improvisados para o efeito.
Falei a noite toda e ri com imensa vontade, senti conforto e colo e a isso rendo-me como uma criança que de vez em quando até se esforça para ser adulta.
"A minha avó pediu-me para não partir de vez para o Brasil e passar cá o Natal com ela, vai ser o último... e ao menos já tenho um motivo que me prenda aqui". Quis dizer-lhe que também o queria cá, mas achei de um tremendo egoísmo e baixei os olhos como se enfiasse o barrete da vergonha. Quebrámos por minutos.
Adormeci como uma menina irrequieta e cansada de ter rido tanto, procuro um abrigo e encontro-me quando sou acolhida nele.
As tristezas foram-se nessa noite o coração sossegou, deixou de se ouvir, talvez porque abrandou, voltei a lembrar-me daquilo com que me teima convencer depois destes anos todos e que nunca desiste:

She walks that she's my girl

You can tell by the way she talks she rules the world

She's my girl my Super girl

And then she'd say it's OK

I got lost on the way

But I'm a Super girl and

Super girls don't cry - Reamon SuperGirl

Novembro 02, 2008

Caia Quem Caia

Hoje à noite, depois do Jornal Nacional a mosca volta rondar os mais obstinados.
Como em tudo, Caia Quem Caia, eles vão perseguir quem menos quer falar.
Mais uma semana a não perder os meninos que vão ficar por cá...
A visitar o nosso site http://www.tvi.iol.pt/cqc/

Novembro 01, 2008

The end

Porque sentimos que é o fim mesmo quando não conseguimos dizer adeus...

Á espera da minha vez


Hoje a minha mãe deixou-me um ditado chinês para me sossegar o coração:


"O professor só aparece quando o aluno está preparado para o receber".


Estou vazia, sozinha, magoada por não ver mais longe dos que os olhos alcançam e concluo que nem uma aprendiz de aluna ainda sou.
Quanto tempo mais?