
Fim-de-semana da campanha do Banco alimentar.
O Pingo Doce à pinha com gente, barulho e canções de natal.
Filas intermináveis para chegar a minha vez na caixa, o que me deu tempo de avistar uma Joana que me tornou a minha tarde deliciosa.
A Joana era uma lobito dos escuteiros, com uns 8 anos que estava a recolher os sacos com os alimentos para o Banco alimentar.
- "Então, o que é que tem aí p'ra mim? Ah, não tem nada? Não faz mal. Xi, ganda sorte, aquele saco está cheio! Obrigada! Vou ficar aqui com este saco que como não é pesado, fico à espera de outro".
A Joana obrigou praticamente todas as pessoas a comprarem um saco cheio de coisas.
Chegou a minha vez, eu e a mãe demos um saco cheio e a Joana desfez-se num sorriso que nos pagou todos os sacos seguintes.
Falei com a Joana que me oferecia catálogos do Pingo Doce para os "meus filhos".
- Não tenho filhos Joana, é uma pena. Mas ainda não tenho...
-Ai não tem? Então da próxima vez quando vier cá já vai ter.
Perguntei à Joana se os pais também já tinham sido dos escuteiros e arrependi-me de ser sempre tão indiscreta: " O pai sempre foi dos escuteiros, mas a mãe não tinha tempo para mim nem para o pai e foi embora".
Fiquei sem saber o que fazer, disse-lhe só que não tem mal, mas sei que tem. Sorri e pedi em segredo que a Joana se voltasse a rir antes de a deixar de ver: "Joana, obrigada pela tua ajuda nesta camapanha".
E a Joana sorriu da última vez que a vi e a tarde valeu-me ouro e voltei a acreditar que há boas coisas à nossa volta.



















