junho 14, 2015



Todos nos apaixonamos assim nem que seja uma vez na vida.
É um ciclo que começa e acaba.
Uma valsa suave que nos embala os pensamentos e permite chegar sempre ao lugar mais bonito do que somos.
Emociona-nos quando nos toca a pele e é o seu sopro quente que nos deixará sempre saudade.
É tão inevitável amá-lo como o deixar partir.
Ele voltará sempre, como terá sempre de voltar a partir por mais que se queira prender para sempre.
Tudo o que é bom demais não é para sempre...

maio 29, 2015


Parece que se chamam indigo.
E que vêem mais além como se o sexto sentido lhes construísse o caminho.
Não têm medo mesmo sabendo que a queda faz parte da estrada.
Terão sempre qualquer coisa de crianças porque não colocam a vida toda em perspetiva.
Falam com os olhos que tem o coração como maestro.
E são do mundo porque nunca pertencerão a ninguém.
Não serão nunca a maioria e por isso são raros e especiais.
Andam por ai,  vivem a vida como um ultimato que só pode dar certo porque a única regra que respeitam é a da intuição.



A vida é o curto sopro do que fazemos dela...

maio 03, 2015

"Não é preciso morrer para ver Deus"

Deito-me numa pedra quente enquanto sopra o vento quente de fim de tarde no Alentejo. Não se houve nada, nem gente, nem aves, nem buzinas ao longe como na cidade onde vivo. É como se o tempo tivesse tirado férias e tivesse partido sem aviso de regresso. Fixo o sol sem queimar o olhar e tento pensar nas respostas todas que coloco à vida, sabendo que ela é apenas um caminho de lições, lições algumas que não quero mais aprender. Sinto-me livre porque não tenho pressa de partir ou chegar. O telefone não toca e ninguém se vai lembrar de me procurar. A carrinha fica aberta e toca músicas várias sem ninguém as escolher. Uns filmam, outros passam as mensagens do telemóvel como se relessem a agenda do dia. Eu fecho os olhos e não procuro mais nada porque estou demasiado esgotada. Acho que adormeço. Acho que acordo com a mesma calma. Toca esta música que me embala e alivia o peso que ganharam os meus pensamentos. Hoje não precisei de morrer para ver Deus...

abril 13, 2015


O que fica dos passos que já demos?

abril 07, 2015


O que fazemos quando percebemos que alguma coisa vai acabar mal?

abril 03, 2015


Sei que me sinto muito sozinha quando volto obstinadamente a fazer desporto para gerir o prazer da dor.

abril 01, 2015

Voltei a fazer desporto.
Como é que é possível eu ter parado?
Seguem-se próximos capítulos. Muito em breve.
À medida que releio e refaço o meu cv penso...
Bolas, eu já fiz isto tudo!

março 16, 2015

A felicidade é um fragmento das ilusões que alimentamos na vida. Não é mais do que um sopro.

novembro 27, 2014


Os grandes amores começam sempre às escondidas.
Porque surgem de repente quando a vida ainda está por resolver.
São aqueles que não planeamos e nos assaltam num primeiro jantar onde achamos que íamos só falar de trabalho.
São quase sempre amores proibidos e impossíveis.
Marcados à pressa contra todos e debaixo do olhar reprovador das aparências morais.
Os grandes amores deixam uma marca igual à de uma cicatriz. que dói nos dias de frio e de mudança,
Chegam e achamos que é para sempre porque nos fazem doer as entranhas e nos tiram o sono e o apetite.
Eu conheci um grande amor a quem dei tudo o que tinha de melhor.
E criei as maiores expetativas porque o meu amor também era maior.
Escolhemos uma casa e fizemos planos para ser uma família.
Mas o meu grande amor não sentia o mesmo por mim e deixou que o capricho de terceiros decidisse o nosso rumo.
Os grandes amores começam às escondidas porque se calhar não deviam acontecer.
Têm o destino traçado para falhar porque não lhes chega a vontade para vencer.
Porque são de uma família só e não deixam mais ninguém tomar esse lugar.
Os grandes amores têm todos passado e filhos e vida.
Eu escolhi sempre mal os meus amores, porque eles nunca me escolheram a mim,
E eu quero chegar em primeiro lugar.
Eu quero ser encontrada sem ser às escondidas como o grande amor de alguém.


novembro 12, 2014


Hoje enviou uma mensagem inesperada.
"Ligue, estou com os avós".
Prometi que então ligava mal pudesse.
Atendeu prontamente e do lado de lá ouvi "é a mãe?".
Respondeu só que era a Joana como se isso servisse para justificar tudo.
Falei com ele e com a avó.
Matei saudades e fiquei mais em paz comigo por saber que sentem a minha falta.
Dizem que os sogros são para sempre.
E os enteados também.
Não casei, mas em tempos tive um enteado Miguel na minha vida que podia ser meu filho.
Não foi,
Mas gosta de mim.
Só porque sim.
E eu sinto a falta que alguém goste de mim assim...

novembro 09, 2014



A minha avó está doente.
Já não sabe bem tudo da vida e vive num mundo que é só dela.
Tem um olhar ausente de quem já não é de cá.
A minha avó ouve quando falamos dela e finge que não sabe que ela é a protagonista.
Às vezes à noite quer vir para minha casa porque diz que a mãe dela está cá comigo.
O avô não a deixa vir porque ele acha que ela está demente.
Eu acho que ela não está demente em tudo.
Diz coisa certas e faz coisas certas.
Vê o que os meus olhos não alcançam.
A minha avó está de partida e eu sinto isso.
Ainda olha para mim com ar de pena porque acha que merecia encontrar um marido como ela tem o dela.
E eu em dias como hoje gostava de lhe pedir desculpa por ter falhado tanto e ter tido tanto azar.
Mas a avó nunca entenderia que os tempos mudaram e hoje trabalhamos tanto quanto os homens e chegamos a casa e ainda temos que ser donas de casa. E que hoje já não aguentamos ser mal amadas, preferimos a solidão.
Às vezes acho que a avó está à espera que eu me apaixone por alguém que também me ame, para ela poder partir.
Mas como é que vou dizer à avó que se calhar ela já não vai assistir a esse momento.
A minha avó está de partida e eu não vou ter tempo de lhe mostrar que não falhei em tudo na vida.

novembro 05, 2014


Não tem mal.
O passado já foi lá atrás.
Já partiu.
Não o viste a ir?
Não tem mal.
Já foi.
Não é mais nosso.
Acabou sem sabermos porquê...
Não tem mal.
A vida é mesmo assim...

Juntamo-nos no fim do trabalho às escondidas num bar perdido no centro da cidade.
Os bancos são corridos e de madeira.
Encostamo-nos umas às outras embrulhamo-nos em mantas polares enquanto o frio se vai entranhando na pele,
A cidade ficou esquecida lá fora.
Pedimos gin tónico como se bebêssemos água e soltamos conversas num desespero de quem não tem tempo e algo fica sempre esquecido ou por dizer.
Umas têm os maridos a dar banho aos filhos enquanto não chegam para jantar e outras não têm ninguém à espera.
Bebemos e rimos e fazemos brindes.
O mundo parou-nos nas mãos.
Sinto-me chegada a um lugar qualquer em paz.
Nada me espera.
Não há ninguém.
Não vai haver tão depressa a não ser que o mundo me surpreenda.
Mas eu estou em paz assim.
Posso ficar ali a noite toda ou sair para me encontrar num jantar a dois. A mil.
Posso tudo nesta fase da vida.
E apesar de não ter nada, pela primeira vez sinto que vivo bem no meu lugar, sozinha no mundo. Mas tão perto de mim.
Estou sozinha porque fiz escolhas e fechei portas e vivo com isso. Mas estou bem como sou.
Rimos e fazemos brindes.
Ensinam-me técnicas para um jantar brilhante no dia em que queira impressionar alguém.
Registo tudo a sorrir, sem a aflição de não ter mais do que aquilo que sou.
Somos várias mulheres.
Temos vidas muito diferentes e complicadas.
Mas hoje sou feliz por ser só eu.
Dona do meu destino e da minha história de vida. Da minha vontade.
Não há nada à minha espera a não ser o silêncio da casa e o que vem de mim.
Um dia talvez passe e voltem a resgatar-me a gargalhada e o sorriso e a alma.
Mas hoje sei que não sou parte de ninguém, ninguém se orgulha de mim ou me exibe como mulher. e eu já não preciso mais disso. Acabou-se o tempo.
Ninguém me recorda à distância ou me ama em silêncio.
Hoje sou apenas eu por mim.
Na minha conta de que me basto.
Porque a vida já me ensinou que não preciso de ninguém para ser feliz.
Para me encontrar com 6 amigas num bar...
E beber gin tónico e brindar à vida.
A minha vida que seguiu só comigo.
Sem poder contar contar com homem algum.
E não é que eu sou feliz assim?
Talvez seja sinal que algo está então prestes a começar entre mim mesma.


outubro 31, 2014


Encontramo-nos todos em casa de uma das amigas para jantar.
Uma delas precisava de colo e esta desesperada.
Abrimos tantas garrafas quanto o número de amigos que temos à mesa.
Fazemos um balanço da vida e percebemos que estamos quase todos sozinhos porque quisemos apostar tudo. E alguns de nós perdemos tudo também.
Passam as horas por nós e falamos dos namorados e do que vivemos.
Falamos das asneiras que fizemos juntos e dos segredos que partilhámos.
Falamos de clínicas para termos filhos de pais desconhecidos e de mais uns amigos estranhos que se juntam ao jantar e por quem talvez nos pudessemos apaixonar se não estivessemos todos magoados.
Ensaiamos passes de boxe e sabemos todos que estamos a passar por processos de dor diferentes.
Rapazes e raparigas. Quase todos em processo de separação.
Uns já estão prontos para seguir em frente. Outros não.
Falam todos ao mesmo tempo e olho para os meus amigos e penso que estamos todos no mesmo barco. Ou a afundar, ou a recomeçar a vida toda.
Temos todos mais de 35 e só uma tem filhos.
Estamos sem nada.
Dispostos a jogar tudo e sofremos porque fazemos todos desporto a mais para deixar de sentir a dor que a alma transporta.
Bebemos porque isso permite-nos ser mais efusivos e depois mais calmos e melancólicos .
Abraço-os a todos e um deles diz-me aquilo que acho da vida, sobre mim, sobre todos;
"Karma is a bitch".
E ele tem razão, o meu tempo de ser amada acabou.


outubro 13, 2014


Uma amiga minha de há anos casou.
Ao chegar a hora do almoço e porque era uma das madrinhas, dei por mim rodeada por gente que nunca tinha visto, numa mesa cheia de casais, quase todos se conheciam.
E eu. Apenas eu.
Ao meu lado sentou-se uma criança e fingi que não a vi.
Quis imenso fugir dali naquele momento, não tinha um par, ninguém ao meu lado, nem com quem falar.
Estava numa festa de homenagem ao amor e o amor tem-me traído quase todos os dias.
Amarga, triste e infantil continuei a fingir que não a via.
Foi-me sorrindo e disse algumas palavras.
Deixou cair o guardanapo e fez-me apanhá-lo.
Agradeceu com um grande sorriso e fez uma pose como se lhe tirasse uma fotografia com o meu olhar.
Forcei a conversa a pensar que não quero que a crianças gostem de mim.
"Quantos anos tens?".
Esticou 4 dedos e olhou para eles como se tudo o que fizesse fosse mágico.
E voltou a sorrir-me.
Não falámos muito mas acabei a dar-lhe o jantar.
E a correr de mão dada com ela quando me disse: "olha, quero ir embora daqui".
A Beatriz conquistou-me, apenas com 4 anos, mesmo depois de eu ter feito tudo para não a ver.
Porque é assim que ando na vida, não vejo ninguém e estou cheia de mágoas.
Nem a Beatriz, nem pessoa nenhuma me pode resgatar se eu não deixar.
E eu até quero ser resgatada, mas está tão difícil de acreditar em alguma coisa...
Mas há qualquer coisa que me enche o peito de ar quando encontro estas pessoas pequeninas na vida e sei que quero tanto ser encontrada...
Por um grande amor.
Por um filho.
Por mim própria...

outubro 05, 2014



Chego a casa e não estás.
A televisão é que me faz companhia enquanto a noite entra por entre as janelas.
Leio as revistas do mundo e não tenho com quem as partilhar, porque não há cá ninguém.
O tempo corre, às vezes depressa demais, outras parado e faz doer tudo.
As estações do ano estão a passar todas por nós e não te vejo.
Deixei de saber de ti e do teu lado angustiado e negro com a vida.
Deixei de ter onde deitar o colo quando o pensamento me assombra.
Já não gosto de chegar a esta casa que sempre foi a minha porque ela relembra-te com um eco de alguém morto mas que fica em alma.
A minha casa já não me abriga. Causa-me medo porque tem sombras do passado.
Não durmo mais de janelas abertas porque ganhei medo da vida. E do escuro.
Não me suporto no meu silêncio lento e arrastado de quem não vê fim à vista, ou terra, ou porto de abrigo.
Há apenas um túnel negro que teima em não me dar a luz da solução final.
Não aparece ninguém.
Não vem ninguém.
Fico só eu. Tão só.
E o medo gela-me...
Ao adormecer ouvia sempre "estou aqui, eu estou aqui" e eu adormecia embalada na segurança de que era verdade.
Na segurança de quem sente que não é abandonada.
Mas um dia acordei, depois de uma imensa dor e vi que estava sozinha.
Que tinha estado sempre assim.
E que não vinha ninguém atrás...
Mais ninguém....
Talvez nunca mais...

setembro 15, 2014


Hoje numa aula de rpm um dos professores perguntou-me se o que me movia era a raiva.
É sim. Respondi-lhe.
Nota-se no teu treino. Disse-me.
Há quem diga que a raiva é sinal que estamos agarrados à vida a tentar lutar, sobreviver.
Que seja assim, porque talvez ainda não esteja tudo perdido.

setembro 13, 2014

How to make a fighter...



A dor?
Disciplina-se.
Treina-se.
E treina-se.