Janeiro 18, 2012

A forma como costumo procurar por ti é nas hortênsias. Que morrem sempre nesta altura do ano.
Lembro-me de ti quando se abre a janela do quarto quando ar nenhum passa pela casa. Fecho a janela da antiga madeira estalada pelo tempo e sorrio a dar-te o meu melhor olá.
Muitas vezes acendo-te as velas da noite e das tardes sozinhas e dedico-as à memória que tenho de ti e da mulher forte que foste.
Quero crer que quando morremos vamos para um plano diferente, mas ficamos sempre vivos e perto dos que amamos. E eu quero crer que és tu quem me assusta nos momentos mais sozinhos de casa, que és tu quem me visita nas mensagens subliminares, és tu quem me dá os sinais, ou eles são apenas perversões da vida?
Será que não és tu avó?
E os olhos verdes que me ficaram não são traços dos teus, são só somas matemáticas da genética?
Não me ouves? Nâo me dás respostas, nem vigias quem me poderá fazer mal?
Será então que quando a vida acaba, ardem os sinais e os olhos verdes? E então aquilo que fica será somente a vida a troçar de nós?
Avó? Não me digas que foste mesmo embora?
Oh avó... e eu?

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