Janeiro 20, 2012



Aprendemos a mexer o corpo como uma serpente e é o cérebro quem manda nos músculos, nos sentidos e traça-lhes um equilíbrio quase perfeito.
Rapidamente sabemos que pertencemos ao Universo e que nos afastámos demasiado dele, afinal somos da terra e deixámo-nos dominar demasiado pela razão.
Prefiro voltar sempre ao corpo, porque é com ele que travo as maiores guerras. Mexo-me como uma fita de seda comandada pelo ar e controlo a leveza, apenas aparente, com a disciplina do esforço e de alguma dor.
Os gestos tornam-se mais bonitos quando os obrigamos a comportarem-se como uma dança tribal, como um ritual de um antigo guerreiro que medita enquanto exercita os seus gestos de treino.
Há um espelho que nos atravessa o olhar o tempo todo e diante da minha própria imagem nem sempre me reconheço nela… “olá sou eu? Olha não te via bem há tanto tempo”…
Passaram-se hoje algumas horas de manhã, entre máquinas e exercícios, risos, suspiros, dor e yoga e o balanço do meu corpo.
O balanço de mim vista a um espelho, parte nua, e do outro eu, enrolada por dentro enquanto serpenteei o corpo no tempo e no silencio, cheia de alegria por saber estar só, tão cheia e orgulhosa de mim…

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